Rodrigo,

A que semântica você se refere quando diz isso?

Suponha que numa lógica epistêmica o operador K faz o modal “quadradinho”. Numa 
semântica como a de Scott-Montague, Kp então quer dizer que o conjunto de 
mundos da proposição p está na vizinhança de um mundo de referência w. Por que 
isso seria inconsistente de dizer?

> 
> On 24 Mar 2020, at 18:27, Rodrigo Freire <[email protected]> wrote:
> 
> 
> A sentença do rei é mais que sustentável, ela de fato ocorre, não é?
> O raciocínio do rábula não é sustentável, como não são alguns raciocínios que 
> contém a noção metalinguística de "verdade" na linguagem objeto. Ele poderia, 
> por exemplo, dizer ao rei: "se o que estou a dizer é verdade, então sou 
> inocente". O rei teria que concluir que essa frase é verdadeira, portanto que 
> o rábula é inocente. É essa analogia que faço.
> No caso em questão, o raciocínio contém a noção metalinguística de "saber" na 
> linguagem objeto. 
> Meu ponto é que isso gera um sistema inconsistente, como a inclusão da noção 
> metalinguística de "verdade" na linguagem objeto. 
> 
> 
> 
> 
> On Tue, Mar 24, 2020 at 6:14 PM Andrea Loparic <[email protected]> wrote:
>> Então não entendi sua posição antes.  Deixe ver agora:
>> Na sua opinião, a sentença do rei é sustentável e
>> é o raciocínio do rábula que não é?
>> E você estava mostrando por que a argumentação do 
>> rábula está furada, é isso?
>> 
>>      Livre de vírus. www.avast.com.
>> 
>> Em ter., 24 de mar. de 2020 às 17:50, Antonio Marmo <[email protected]> 
>> escreveu:
>>> Pois é preciso dizer antes em quais termos se coloca o problema para pensar 
>>> a solução. Ainda assim, isto não garante que alguém não o resolva pensando 
>>> “fora da caixa”.
>>> 
>>> A lenda do nó górdio é um exemplo óbvio. Alexandre o Grande teria sido o 
>>> único que resolveu o problema passando a espada, ao passo que todos antes 
>>> dele pressupuseram que a proposta era desfazer o nó sem partir a corda.
>>> 
>>> Voltando ao problema específico: as Cortes de Lisboa determinam que El-rei 
>>> D. João VI deve voltar à Lisboa. O monarca responde: “um dia eu volto, hoje 
>>> não.” Como vamos analisar o problema? Usando alguma lógica epistêmica 
>>> conhecida, como T ou D? Usando da simples lógica proposicional clássica? Ou 
>>> vamos observar como as pessoas intuitivamente reagem ao problema?
>>> 
>>> No caso do exemplo histórico, os deputados portugueses não se surpreenderam 
>>> com o retorno de D. João VI quando aconteceu. Na verdade, ao ouvirem dele 
>>> que regressaria algum dia, mas sem uma data marcada, entenderam que ele não 
>>> regressaria e o pressionaram até que anunciasse sua partida do Rio de 
>>> Janeiro. Qual era a lógica que guiou a intuição política nesse caso? Houve 
>>> uma lógica nisso?
>>> 
>>> Por isso é que questões em lógica não se limitam à parte técnica. Não 
>>> existe a técnica sem a indispensável reflexão filosófica. É no bojo dela 
>>> que os problemas se formulam. Obviamente, admitimos que ad soluções quando 
>>> nos chegam podem estar fora da caixa, mas neste caso é outrossim necessário 
>>> ter ciência de que a reflexão se deslocou para outros termos. Só com a 
>>> reflexão clara entendemos direito o que significam os problemas e as 
>>> soluções propostas.
>>> 
>>> Most problems of teaching are not problems of growth but helping cultivate 
>>> growth. As far as I know, and this is only from personal experience in 
>>> teaching, I think about ninety percent of the problem in teaching, or maybe 
>>> ninety-eight percent, is just to help the students get interested. 
>>> Noam Chomsky 
>>> 
>>>> On 24 Mar 2020, at 16:48, Rodrigo Freire <[email protected]> wrote:
>>>> 
>>>> 
>>>> Ao contrário, discordo do raciocínio do rábula. O rábula raciocina em um 
>>>> sistema que usa o raciocínio do rábula (o próprio sistema, portanto) na 
>>>> linguagem objeto. Esse sistema é contraditório, dele qualquer coisa se 
>>>> segue. Não se pode usar esse sistema.
>>>> 
>>>> On Tue, Mar 24, 2020 at 4:08 PM Andrea Loparic <[email protected]> wrote:
>>>>> Bem o que você está dizendo é que o probema tradicional é um 
>>>>> falso problema, ou seja, que a sentença não tem modelo. Você 
>>>>> concorda então com o rábula! E seria contraditado na terça
>>>>> feira, quando fosse surpreendido pela chegada do carrasco 
>>>>> pra te buscar as 5:50 !
>>>>> 
>>>>>   Livre de vírus. www.avast.com.
>>>>> 
>>>>> Em ter., 24 de mar. de 2020 às 15:48, Rodrigo Freire 
>>>>> <[email protected]> escreveu:
>>>>>> Oi Andrea,
>>>>>> 
>>>>>> Sim, meu ponto é que a teoria epistêmica resultante não é confiável (se 
>>>>>> formalizada será contraditória). Por isso sugiro que "não saberá de 
>>>>>> véspera" não deve ser interpretada como uma nova informação e 
>>>>>> internalizada através de uma linguagem epistêmica, mas apenas como a 
>>>>>> metainformação "sem mais informações". O problema se dissolve se 
>>>>>> interpretado desse modo. 
>>>>>> 
>>>>>> Abraço
>>>>>> Rodrigo 
>>>>>> 
>>>>>> 
>>>>>> 
>>>>>> 
>>>>>> On Tue, Mar 24, 2020 at 3:39 PM Andrea Loparic <[email protected]> 
>>>>>> wrote:
>>>>>>> Oi Rodrigo,
>>>>>>> 
>>>>>>> Assim formulado, o problema é outro. O problema tradicional é uma 
>>>>>>> questão
>>>>>>> de lógica epistêmica. O não poder saber de véspera é parte da sentença
>>>>>>> do problema tradicional. Eu não estou nesse momento podendo pegar meu
>>>>>>> exemplar do "The ways of Paradox" do Quine, onde ele expõe o problema e
>>>>>>> a solução que ele dá; se você ou algum colega tiver à mão esse livro, 
>>>>>>> peço 
>>>>>>> que copie aqui a formulação que lá aparece.
>>>>>>> Abraços,
>>>>>>> Andréa 
>>>>>>> 
>>>>>>>         Livre de vírus. www.avast.com.
>>>>>>> 
>>>>>>> Em ter., 24 de mar. de 2020 às 11:15, Rodrigo Freire 
>>>>>>> <[email protected]> escreveu:
>>>>>>>> Olá Andrea. A formulação da prova surpresa é mais familiar para mim. 
>>>>>>>> 
>>>>>>>> A sentença poderia ser reformulada com o axioma: 
>>>>>>>> 
>>>>>>>> *Você será enforcado na segunda ou na terça ou na quarta ou na quinta 
>>>>>>>> ou na sexta.*
>>>>>>>> 
>>>>>>>> Essa é a única informação da sentença. O resto tem o efeito de "sem 
>>>>>>>> mais informações" e é melhor entendida como uma frase da metalinguagem 
>>>>>>>> (sobre o sistema de informações, não como uma informação adicional). 
>>>>>>>> Uma incorporação do "sem mais informações" como uma informação 
>>>>>>>> positiva não gera um sistema confiável.
>>>>>>>> 
>>>>>>>> A interpretação que o rábula faz da sua sentença de morte incorpora em 
>>>>>>>> seu sistema de justificação a parte prescreve o que ele não saberá. Ou 
>>>>>>>> seja, ele interpreta, com ajuda da má formulação da sentença, uma 
>>>>>>>> ausência de informação como informação positiva.
>>>>>>>> Esse movimento incorpora na lógica do rábula uma modalidade 
>>>>>>>> metalinguística. O sistema resultante de justificação do rábula é 
>>>>>>>> baseado na própria noção de justificação que o sistema tenta capturar. 
>>>>>>>> Esse é um tipo de planificação da linguagem/metalinguagem é 
>>>>>>>> problemática e não gera um sistema dedutivo confiável. De qualquer 
>>>>>>>> modo, uma formalização simples desse sistema em logica modal resulta 
>>>>>>>> inconsistente.
>>>>>>>> 
>>>>>>>> É assim que vejo o problema.
>>>>>>>> 
>>>>>>>> Abraço
>>>>>>>> Rodrigo
>>>>>>>> 
>>>>>>>> 
>>>>>>>> 
>>>>>>>> 
>>>>>>>> 
>>>>>>>> 
>>>>>>>> On Mon, Mar 23, 2020 at 4:26 PM Andrea Loparic <[email protected]> 
>>>>>>>> wrote:
>>>>>>>>> Que tal nos divertirmos com probleminhas interessantes nesse tempo de 
>>>>>>>>> quarentena? Por exemplo, quem de vocês já passou horas quebrando a 
>>>>>>>>> cuca com o chamado"paradoxo do enforcado"?  E quem acha que chegou a 
>>>>>>>>> uma solução do mesmo?
>>>>>>>>> Para quem não conhece ou não se lembra, lá vai o enunciado (à minha 
>>>>>>>>> moda):
>>>>>>>>> ====================================================================
>>>>>>>>>      Num reino distante, um rábula que ousara chamar o rei de 
>>>>>>>>> "infame"    
>>>>>>>>>      recebeu do rei a seguinte sentença condenatória:
>>>>>>>>> 
>>>>>>>>>           "Você será enforcado às 6 da manhã de um dia, entre segunda 
>>>>>>>>> e 
>>>>>>>>>           sábado da próximo semana,  mas só saberá qual deles às 5:50 
>>>>>>>>> do 
>>>>>>>>>           próprio dia. quando o carrasco virá buscá-lo para a 
>>>>>>>>> execução."
>>>>>>>>> 
>>>>>>>>>      O rábula então pensou com seus botões:
>>>>>>>>> 
>>>>>>>>>           "Essa sentença não pode ser integralmente cumprida! Pois 
>>>>>>>>> sendo o  
>>>>>>>>>           sábado o último dia da próxima semana, ele está excluido, 
>>>>>>>>> uma vez 
>>>>>>>>>           que como o carrasco não tivesse aparecido na sexta feira as 
>>>>>>>>> 5:50,    
>>>>>>>>>           a partir desse momento eu ia ficar sabendo que seria 
>>>>>>>>> executado no
>>>>>>>>>           dia seguinte. Mas, como o sábado fica excluido, o mesmo 
>>>>>>>>> raciocínio
>>>>>>>>>           vale para a sexta, que fica sendo o último dia, assim na 
>>>>>>>>> quinta às  
>>>>>>>>>           5:50, eu já ia ficar sabendo.  E assim por diante, podemos 
>>>>>>>>> ir 
>>>>>>>>>           eliminando cada um dos dias da mesma forma, portanto a  
>>>>>>>>> sentença 
>>>>>>>>>           não poderá ser integralmente cumprida.  Ora, pelo paragrafo 
>>>>>>>>> único 
>>>>>>>>>           do artigo sexto do nosso Código Penal,  uma sentença que 
>>>>>>>>> não pode
>>>>>>>>>           ser  literalmente cumprida é nula de direito. Assim, posso 
>>>>>>>>> ficar 
>>>>>>>>>           tranquilo que não vou ser executado. "
>>>>>>>>> 
>>>>>>>>>      E assim ficou o rábula até as 5:50 da terça feira, quando o 
>>>>>>>>> carrasco apareceu para conduzi-lo à forca.  
>>>>>>>>> ==================================================================
>>>>>>>>> 
>>>>>>>>> Aguardo comentários tranquilos e intranquilos!!!
>>>>>>>>> Beijos (virtuais, é claro!)
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