Então não entendi sua posição antes.  Deixe ver agora:
Na sua opinião, a sentença do rei é sustentável e
é o raciocínio do rábula que não é?
E você estava mostrando por que a argumentação do
rábula está furada, é isso?

<https://www.avast.com/sig-email?utm_medium=email&utm_source=link&utm_campaign=sig-email&utm_content=webmail>
Livre
de vírus. www.avast.com
<https://www.avast.com/sig-email?utm_medium=email&utm_source=link&utm_campaign=sig-email&utm_content=webmail>.
<#DAB4FAD8-2DD7-40BB-A1B8-4E2AA1F9FDF2>

Em ter., 24 de mar. de 2020 às 17:50, Antonio Marmo <[email protected]>
escreveu:

> Pois é preciso dizer antes em quais termos se coloca o problema para
> pensar a solução. Ainda assim, isto não garante que alguém não o resolva
> pensando “fora da caixa”.
>
> A lenda do nó górdio é um exemplo óbvio. Alexandre o Grande teria sido o
> único que resolveu o problema passando a espada, ao passo que todos antes
> dele pressupuseram que a proposta era desfazer o nó sem partir a corda.
>
> Voltando ao problema específico: as Cortes de Lisboa determinam que El-rei
> D. João VI deve voltar à Lisboa. O monarca responde: “um dia eu volto, hoje
> não.” Como vamos analisar o problema? Usando alguma lógica epistêmica
> conhecida, como T ou D? Usando da simples lógica proposicional clássica? Ou
> vamos observar como as pessoas intuitivamente reagem ao problema?
>
> No caso do exemplo histórico, os deputados portugueses não se
> surpreenderam com o retorno de D. João VI quando aconteceu. Na verdade, ao
> ouvirem dele que regressaria algum dia, mas sem uma data marcada,
> entenderam que ele não regressaria e o pressionaram até que anunciasse sua
> partida do Rio de Janeiro. Qual era a lógica que guiou a intuição política
> nesse caso? Houve uma lógica nisso?
>
> Por isso é que questões em lógica não se limitam à parte técnica. Não
> existe a técnica sem a indispensável reflexão filosófica. É no bojo dela
> que os problemas se formulam. Obviamente, admitimos que ad soluções quando
> nos chegam podem estar fora da caixa, mas neste caso é outrossim necessário
> ter ciência de que a reflexão se deslocou para outros termos. Só com a
> reflexão clara entendemos direito o que significam os problemas e as
> soluções propostas.
>
> *Most problems of teaching are not problems of growth but helping
> cultivate growth. As far as I know, and this is only from personal
> experience in teaching, I think about ninety percent of the problem in
> teaching, or maybe ninety-eight percent, is just to help the students get
> interested. *
> Noam Chomsky
>
> On 24 Mar 2020, at 16:48, Rodrigo Freire <[email protected]> wrote:
>
> 
> Ao contrário, discordo do raciocínio do rábula. O rábula raciocina em um
> sistema que usa o raciocínio do rábula (o próprio sistema, portanto) na
> linguagem objeto. Esse sistema é contraditório, dele qualquer coisa se
> segue. Não se pode usar esse sistema.
>
> On Tue, Mar 24, 2020 at 4:08 PM Andrea Loparic <[email protected]> wrote:
>
>> Bem o que você está dizendo é que o probema tradicional é um
>> falso problema, ou seja, que a sentença não tem modelo. Você
>> concorda então com o rábula! E seria contraditado na terça
>> feira, quando fosse surpreendido pela chegada do carrasco
>> pra te buscar as 5:50 !
>>
>>
>> <https://www.avast.com/sig-email?utm_medium=email&utm_source=link&utm_campaign=sig-email&utm_content=webmail>
>>  Livre
>> de vírus. www.avast.com
>> <https://www.avast.com/sig-email?utm_medium=email&utm_source=link&utm_campaign=sig-email&utm_content=webmail>.
>>
>> <#m_-6961251563994469305_m_-5617508477340950558_DAB4FAD8-2DD7-40BB-A1B8-4E2AA1F9FDF2>
>>
>> Em ter., 24 de mar. de 2020 às 15:48, Rodrigo Freire <
>> [email protected]> escreveu:
>>
>>> Oi Andrea,
>>>
>>> Sim, meu ponto é que a teoria epistêmica resultante não é confiável (se
>>> formalizada será contraditória). Por isso sugiro que "não saberá de
>>> véspera" não deve ser interpretada como uma nova informação e internalizada
>>> através de uma linguagem epistêmica, mas apenas como a metainformação "sem
>>> mais informações". O problema se dissolve se interpretado desse modo.
>>>
>>> Abraço
>>> Rodrigo
>>>
>>>
>>>
>>>
>>> On Tue, Mar 24, 2020 at 3:39 PM Andrea Loparic <[email protected]>
>>> wrote:
>>>
>>>> Oi Rodrigo,
>>>>
>>>> Assim formulado, o problema é outro. O problema tradicional é uma
>>>> questão
>>>> de lógica epistêmica. O não poder saber de véspera é parte da sentença
>>>> do problema tradicional. Eu não estou nesse momento podendo pegar meu
>>>> exemplar do "The ways of Paradox" do Quine, onde ele expõe o problema e
>>>> a solução que ele dá; se você ou algum colega tiver à mão esse livro,
>>>> peço
>>>> que copie aqui a formulação que lá aparece.
>>>> Abraços,
>>>> Andréa
>>>>
>>>>
>>>> <https://www.avast.com/sig-email?utm_medium=email&utm_source=link&utm_campaign=sig-email&utm_content=webmail>
>>>>  Livre
>>>> de vírus. www.avast.com
>>>> <https://www.avast.com/sig-email?utm_medium=email&utm_source=link&utm_campaign=sig-email&utm_content=webmail>.
>>>>
>>>> <#m_-6961251563994469305_m_-5617508477340950558_m_-8172675235174311213_m_4031521167101064759_DAB4FAD8-2DD7-40BB-A1B8-4E2AA1F9FDF2>
>>>>
>>>> Em ter., 24 de mar. de 2020 às 11:15, Rodrigo Freire <
>>>> [email protected]> escreveu:
>>>>
>>>>> Olá Andrea. A formulação da prova surpresa é mais familiar para mim.
>>>>>
>>>>> A sentença poderia ser reformulada com o axioma:
>>>>>
>>>>> *Você será enforcado na segunda ou na terça ou na quarta ou na quinta
>>>>> ou na sexta.*
>>>>>
>>>>> Essa é a única informação da sentença. O resto tem o efeito de "sem
>>>>> mais informações" e é melhor entendida como uma frase da metalinguagem
>>>>> (sobre o sistema de informações, não como uma informação adicional). Uma
>>>>> incorporação do "sem mais informações" como uma informação positiva não
>>>>> gera um sistema confiável.
>>>>>
>>>>> A interpretação que o rábula faz da sua sentença de morte incorpora em
>>>>> seu sistema de justificação a parte prescreve o que ele não saberá. Ou
>>>>> seja, ele interpreta, com ajuda da má formulação da sentença, uma ausência
>>>>> de informação como informação positiva.
>>>>> Esse movimento incorpora na lógica do rábula uma modalidade
>>>>> metalinguística. O sistema resultante de justificação do rábula é baseado
>>>>> na própria noção de justificação que o sistema tenta capturar. Esse é um
>>>>> tipo de planificação da linguagem/metalinguagem é problemática e não gera
>>>>> um sistema dedutivo confiável. De qualquer modo, uma formalização simples
>>>>> desse sistema em logica modal resulta inconsistente.
>>>>>
>>>>> É assim que vejo o problema.
>>>>>
>>>>> Abraço
>>>>> Rodrigo
>>>>>
>>>>>
>>>>>
>>>>>
>>>>>
>>>>>
>>>>> On Mon, Mar 23, 2020 at 4:26 PM Andrea Loparic <[email protected]>
>>>>> wrote:
>>>>>
>>>>>> Que tal nos divertirmos com probleminhas interessantes nesse tempo de
>>>>>> quarentena? Por exemplo, quem de vocês já passou horas quebrando a cuca 
>>>>>> com
>>>>>> o chamado"paradoxo do enforcado"?  E quem acha que chegou a uma solução 
>>>>>> do
>>>>>> mesmo?
>>>>>> Para quem não conhece ou não se lembra, lá vai o enunciado (à minha
>>>>>> moda):
>>>>>> ====================================================================
>>>>>>      Num reino distante, um rábula que ousara chamar o rei de
>>>>>> "infame"
>>>>>>      recebeu do rei a seguinte sentença condenatória:
>>>>>>
>>>>>>           "Você será enforcado às 6 da manhã de um dia, entre segunda
>>>>>> e
>>>>>>           sábado da próximo semana,  mas só saberá qual deles às 5:50
>>>>>> do
>>>>>>           próprio dia. quando o carrasco virá buscá-lo para a
>>>>>> execução."
>>>>>>
>>>>>>      O rábula então pensou com seus botões:
>>>>>>
>>>>>>           "Essa sentença não pode ser integralmente cumprida! Pois
>>>>>> sendo o
>>>>>>           sábado o último dia da próxima semana, ele está excluido,
>>>>>> uma vez
>>>>>>           que como o carrasco não tivesse aparecido na sexta feira as
>>>>>> 5:50,
>>>>>>           a partir desse momento eu ia ficar sabendo que seria
>>>>>> executado no
>>>>>>           dia seguinte. Mas, como o sábado fica excluido, o mesmo
>>>>>> raciocínio
>>>>>>           vale para a sexta, que fica sendo o último dia, assim na
>>>>>> quinta às
>>>>>>           5:50, eu já ia ficar sabendo.  E assim por diante, podemos
>>>>>> ir
>>>>>>           eliminando cada um dos dias da mesma forma, portanto
>>>>>> a  sentença
>>>>>>           não poderá ser integralmente cumprida.  Ora, pelo paragrafo
>>>>>> único
>>>>>>           do artigo sexto do nosso Código Penal,  uma sentença que
>>>>>> não pode
>>>>>>           ser  literalmente cumprida é nula de direito. Assim, posso
>>>>>> ficar
>>>>>>           tranquilo que não vou ser executado. "
>>>>>>
>>>>>>      E assim ficou o rábula até as 5:50 da terça feira, quando o
>>>>>> carrasco apareceu para conduzi-lo à forca.
>>>>>> ==================================================================
>>>>>>
>>>>>> Aguardo comentários tranquilos e intranquilos!!!
>>>>>> Beijos (virtuais, é claro!)
>>>>>>
>>>>>> Andréa (Antes confinada que só finada)
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>> --
>>>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L"
>>>>>> dos Grupos do Google.
>>>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele,
>>>>>> envie um e-mail para [email protected].
>>>>>> Para ver essa discussão na Web, acesse
>>>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CACHAqBnO2pCNhNfMO9OqEcy5d5G%3DUspDta1Ek6DcU1TU6f%3DAVg%40mail.gmail.com
>>>>>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CACHAqBnO2pCNhNfMO9OqEcy5d5G%3DUspDta1Ek6DcU1TU6f%3DAVg%40mail.gmail.com?utm_medium=email&utm_source=footer>
>>>>>> .
>>>>>>
>>>>>
>>>>
>>>> <https://www.avast.com/sig-email?utm_medium=email&utm_source=link&utm_campaign=sig-email&utm_content=webmail>
>>>>  Livre
>>>> de vírus. www.avast.com
>>>> <https://www.avast.com/sig-email?utm_medium=email&utm_source=link&utm_campaign=sig-email&utm_content=webmail>.
>>>>
>>>> <#m_-6961251563994469305_m_-5617508477340950558_m_-8172675235174311213_m_4031521167101064759_DAB4FAD8-2DD7-40BB-A1B8-4E2AA1F9FDF2>
>>>>
>>> --
> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos
> Grupos do Google.
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie
> um e-mail para [email protected].
> Para ver essa discussão na Web, acesse
> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAExWzUL6Qo5dq%2BcY8Kru_hUU7oYeHAJKXGjWLmB5R31260JuRg%40mail.gmail.com
> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAExWzUL6Qo5dq%2BcY8Kru_hUU7oYeHAJKXGjWLmB5R31260JuRg%40mail.gmail.com?utm_medium=email&utm_source=footer>
> .
>
> --
> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos
> Grupos do Google.
> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie
> um e-mail para [email protected].
> Para ver essa discussão na Web, acesse
> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/DB0C44D8-7839-4CEA-BA49-BDB5063B7FEE%40gmail.com
> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/DB0C44D8-7839-4CEA-BA49-BDB5063B7FEE%40gmail.com?utm_medium=email&utm_source=footer>
> .
>

-- 
Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos 
Grupos do Google.
Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie um 
e-mail para [email protected].
Para ver esta discussão na web, acesse 
https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CACHAqB%3Dr2qKytFucOqo2AcsasM%2BMbRzk3qyBvRzGXzZehn051Q%40mail.gmail.com.

Responder a