Oi Rodrigo,

Assim formulado, o problema é outro. O problema tradicional é uma questão
de lógica epistêmica. O não poder saber de véspera é parte da sentença
do problema tradicional. Eu não estou nesse momento podendo pegar meu
exemplar do "The ways of Paradox" do Quine, onde ele expõe o problema e
a solução que ele dá; se você ou algum colega tiver à mão esse livro, peço
que copie aqui a formulação que lá aparece.
Abraços,
Andréa

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Em ter., 24 de mar. de 2020 às 11:15, Rodrigo Freire <[email protected]>
escreveu:

> Olá Andrea. A formulação da prova surpresa é mais familiar para mim.
>
> A sentença poderia ser reformulada com o axioma:
>
> *Você será enforcado na segunda ou na terça ou na quarta ou na quinta ou
> na sexta.*
>
> Essa é a única informação da sentença. O resto tem o efeito de "sem mais
> informações" e é melhor entendida como uma frase da metalinguagem (sobre o
> sistema de informações, não como uma informação adicional). Uma
> incorporação do "sem mais informações" como uma informação positiva não
> gera um sistema confiável.
>
> A interpretação que o rábula faz da sua sentença de morte incorpora em seu
> sistema de justificação a parte prescreve o que ele não saberá. Ou seja,
> ele interpreta, com ajuda da má formulação da sentença, uma ausência de
> informação como informação positiva.
> Esse movimento incorpora na lógica do rábula uma modalidade
> metalinguística. O sistema resultante de justificação do rábula é baseado
> na própria noção de justificação que o sistema tenta capturar. Esse é um
> tipo de planificação da linguagem/metalinguagem é problemática e não gera
> um sistema dedutivo confiável. De qualquer modo, uma formalização simples
> desse sistema em logica modal resulta inconsistente.
>
> É assim que vejo o problema.
>
> Abraço
> Rodrigo
>
>
>
>
>
>
> On Mon, Mar 23, 2020 at 4:26 PM Andrea Loparic <[email protected]> wrote:
>
>> Que tal nos divertirmos com probleminhas interessantes nesse tempo de
>> quarentena? Por exemplo, quem de vocês já passou horas quebrando a cuca com
>> o chamado"paradoxo do enforcado"?  E quem acha que chegou a uma solução do
>> mesmo?
>> Para quem não conhece ou não se lembra, lá vai o enunciado (à minha moda):
>> ====================================================================
>>      Num reino distante, um rábula que ousara chamar o rei de "infame"
>>      recebeu do rei a seguinte sentença condenatória:
>>
>>           "Você será enforcado às 6 da manhã de um dia, entre segunda e
>>           sábado da próximo semana,  mas só saberá qual deles às 5:50 do
>>           próprio dia. quando o carrasco virá buscá-lo para a execução."
>>
>>      O rábula então pensou com seus botões:
>>
>>           "Essa sentença não pode ser integralmente cumprida! Pois sendo
>> o
>>           sábado o último dia da próxima semana, ele está excluido, uma
>> vez
>>           que como o carrasco não tivesse aparecido na sexta feira as
>> 5:50,
>>           a partir desse momento eu ia ficar sabendo que seria executado
>> no
>>           dia seguinte. Mas, como o sábado fica excluido, o mesmo
>> raciocínio
>>           vale para a sexta, que fica sendo o último dia, assim na quinta
>> às
>>           5:50, eu já ia ficar sabendo.  E assim por diante, podemos ir
>>           eliminando cada um dos dias da mesma forma, portanto
>> a  sentença
>>           não poderá ser integralmente cumprida.  Ora, pelo paragrafo
>> único
>>           do artigo sexto do nosso Código Penal,  uma sentença que não
>> pode
>>           ser  literalmente cumprida é nula de direito. Assim, posso
>> ficar
>>           tranquilo que não vou ser executado. "
>>
>>      E assim ficou o rábula até as 5:50 da terça feira, quando o carrasco
>> apareceu para conduzi-lo à forca.
>> ==================================================================
>>
>> Aguardo comentários tranquilos e intranquilos!!!
>> Beijos (virtuais, é claro!)
>>
>> Andréa (Antes confinada que só finada)
>>
>>
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