Bem o que você está dizendo é que o probema tradicional é um
falso problema, ou seja, que a sentença não tem modelo. Você
concorda então com o rábula! E seria contraditado na terça
feira, quando fosse surpreendido pela chegada do carrasco
pra te buscar as 5:50 !

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Em ter., 24 de mar. de 2020 às 15:48, Rodrigo Freire <[email protected]>
escreveu:

> Oi Andrea,
>
> Sim, meu ponto é que a teoria epistêmica resultante não é confiável (se
> formalizada será contraditória). Por isso sugiro que "não saberá de
> véspera" não deve ser interpretada como uma nova informação e internalizada
> através de uma linguagem epistêmica, mas apenas como a metainformação "sem
> mais informações". O problema se dissolve se interpretado desse modo.
>
> Abraço
> Rodrigo
>
>
>
>
> On Tue, Mar 24, 2020 at 3:39 PM Andrea Loparic <[email protected]> wrote:
>
>> Oi Rodrigo,
>>
>> Assim formulado, o problema é outro. O problema tradicional é uma questão
>> de lógica epistêmica. O não poder saber de véspera é parte da sentença
>> do problema tradicional. Eu não estou nesse momento podendo pegar meu
>> exemplar do "The ways of Paradox" do Quine, onde ele expõe o problema e
>> a solução que ele dá; se você ou algum colega tiver à mão esse livro,
>> peço
>> que copie aqui a formulação que lá aparece.
>> Abraços,
>> Andréa
>>
>>
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>>
>> Em ter., 24 de mar. de 2020 às 11:15, Rodrigo Freire <
>> [email protected]> escreveu:
>>
>>> Olá Andrea. A formulação da prova surpresa é mais familiar para mim.
>>>
>>> A sentença poderia ser reformulada com o axioma:
>>>
>>> *Você será enforcado na segunda ou na terça ou na quarta ou na quinta ou
>>> na sexta.*
>>>
>>> Essa é a única informação da sentença. O resto tem o efeito de "sem mais
>>> informações" e é melhor entendida como uma frase da metalinguagem (sobre o
>>> sistema de informações, não como uma informação adicional). Uma
>>> incorporação do "sem mais informações" como uma informação positiva não
>>> gera um sistema confiável.
>>>
>>> A interpretação que o rábula faz da sua sentença de morte incorpora em
>>> seu sistema de justificação a parte prescreve o que ele não saberá. Ou
>>> seja, ele interpreta, com ajuda da má formulação da sentença, uma ausência
>>> de informação como informação positiva.
>>> Esse movimento incorpora na lógica do rábula uma modalidade
>>> metalinguística. O sistema resultante de justificação do rábula é baseado
>>> na própria noção de justificação que o sistema tenta capturar. Esse é um
>>> tipo de planificação da linguagem/metalinguagem é problemática e não gera
>>> um sistema dedutivo confiável. De qualquer modo, uma formalização simples
>>> desse sistema em logica modal resulta inconsistente.
>>>
>>> É assim que vejo o problema.
>>>
>>> Abraço
>>> Rodrigo
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>> On Mon, Mar 23, 2020 at 4:26 PM Andrea Loparic <[email protected]>
>>> wrote:
>>>
>>>> Que tal nos divertirmos com probleminhas interessantes nesse tempo de
>>>> quarentena? Por exemplo, quem de vocês já passou horas quebrando a cuca com
>>>> o chamado"paradoxo do enforcado"?  E quem acha que chegou a uma solução do
>>>> mesmo?
>>>> Para quem não conhece ou não se lembra, lá vai o enunciado (à minha
>>>> moda):
>>>> ====================================================================
>>>>      Num reino distante, um rábula que ousara chamar o rei de "infame"
>>>>
>>>>      recebeu do rei a seguinte sentença condenatória:
>>>>
>>>>           "Você será enforcado às 6 da manhã de um dia, entre segunda e
>>>>           sábado da próximo semana,  mas só saberá qual deles às 5:50
>>>> do
>>>>           próprio dia. quando o carrasco virá buscá-lo para a execução."
>>>>
>>>>      O rábula então pensou com seus botões:
>>>>
>>>>           "Essa sentença não pode ser integralmente cumprida! Pois
>>>> sendo o
>>>>           sábado o último dia da próxima semana, ele está excluido, uma
>>>> vez
>>>>           que como o carrasco não tivesse aparecido na sexta feira as
>>>> 5:50,
>>>>           a partir desse momento eu ia ficar sabendo que seria
>>>> executado no
>>>>           dia seguinte. Mas, como o sábado fica excluido, o mesmo
>>>> raciocínio
>>>>           vale para a sexta, que fica sendo o último dia, assim na
>>>> quinta às
>>>>           5:50, eu já ia ficar sabendo.  E assim por diante, podemos ir
>>>>           eliminando cada um dos dias da mesma forma, portanto
>>>> a  sentença
>>>>           não poderá ser integralmente cumprida.  Ora, pelo paragrafo
>>>> único
>>>>           do artigo sexto do nosso Código Penal,  uma sentença que não
>>>> pode
>>>>           ser  literalmente cumprida é nula de direito. Assim, posso
>>>> ficar
>>>>           tranquilo que não vou ser executado. "
>>>>
>>>>      E assim ficou o rábula até as 5:50 da terça feira, quando o
>>>> carrasco apareceu para conduzi-lo à forca.
>>>> ==================================================================
>>>>
>>>> Aguardo comentários tranquilos e intranquilos!!!
>>>> Beijos (virtuais, é claro!)
>>>>
>>>> Andréa (Antes confinada que só finada)
>>>>
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