El mié, 11 de oct. de 2023 2:01 p. m., Juan Carlos Agudelo Agudelo <
[email protected]> escribió:

>
> On Tue, Oct 10, 2023 at 9:50 PM Joao Marcos <[email protected]> wrote:
>
>> Hummmm...  E quem vem primeiro?  Uma dada semântica para uma teoria de
>>
> primeira ordem com igualdade será correta/sound para uma lógica que
>> tem (∃x)x=x como teorema sse ela exigir que os domínios das
>> interpretações sejam não vazios.   Não podemos pensar, assim, que esta
>> é a _razão_ pela qual a lógica clássica faz esta bendita pressuposição
>> sobre a não-vacuidade dos domínios?  Numa lógica que não seja
>> constrangida por tal pressuposto existencial o "normal" não seria que
>> os domínios das estruturas de interpretação fossem conjuntos
>> arbitrários?
>>
>
> Sim dúvida, o fato da lógica de primeira ordem com igualdade poder
> demonstrar (∃x)x=x, obriga a que a semântica considere só modelos com
> domínios não vazios.
> E nem se precisa ter igualdade, pois (∃ x)(P(x) → P(x)), para qualquer
> fórmula P(x), também leva à necessidade de modelos com domínios não vazios.
> O estraño é porque as lógicas de primeira ordem (clássica, intuicionista,
> etc) permitem demonstrar este tipo de teoremas. De alguma maneira, a
> exigência da existência de objetos nessas lógicas está implicitamente
> estabelecida através dos axiomas e regras de inferência. A pergunta é:
> onde?, e não tenho resposta para isso. (Na sessão que mencionei do livro do
> Mendelson, ele propõe um sistema axiomático para lógica de primeira ordem,
> cuja semântica permite domínios não vazios, mas ainda não compreendo bem
> onde que está a "solução" para permitir interpretações em domínios vazios).
>
> Acho interessante que nas teorias de tipos isso não acontece: por exemplo,
> na prova da correspondência Curry-Howard para o sistema de tipos puros λ
> P, com a "lógica minimal intuicionista" (o fragmento da lógica
> intuicionista de primeira ordem só com implicação e quantificador
> universal), tem que se adicionar explicitamente o suposto de que os
> domínios são não vazios, para poder obter a correspondência.  Isso mostra,
> que a formalização da lógica de primeira ordem em teoria de tipos admite
> domínios não vazios (ver em
> https://home.ttic.edu/~dreyer/course/papers/barendregt.pdf, p. 142).
>
>
>> Quando uma dada teoria tem um símbolo de constante qualquer, a
>> semântica "standard" poderá justificar: aí está a razão, precisamos de
>> um objeto no domínio para interpretar este símbolo de constante.  Mas
>> neste caso esbarramos em outra pressuposição da semântica "standard",
>> a saber, a pressuposição de que as funções de interpretação sejam
>> totais (e isto se aplica em particular à operação nulária que
>> interpreta o dito símbolo de constante).  Como o Henrique já apontou,
>> aqui esbarramos na pressuposição de que "todos os termos denotam".
>> Mas será que a gente já não sabe, tendo em vista todo o trabalho feito
>> nos últimos anos formalizando a noção de *computabilidade*, que no
>> mundo real não dá para escapar de _funções parciais_ (que
>> eventualmente farão com que alguns termos não denotem)?
>>
>
> Alguns desses problemas técnicos são abordados no capítulo de Mendelson, e
> em https://home.ttic.edu/~dreyer/course/papers/barendregt.pdf, p. 142, há
> duas referências a trabalhos sobre "free logic".
>
> Abs,
> Juan Carlos
>

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