Oi, Samuel

> Sim, ajudou no sentido de bagunçar mais, hehe, é assim mesmo a coisa. 

Rsrsrs

> Esse predicado Sx que diz que x é conjunto, me parece algo mais de
> teoria de classes não ? Em que os objetos formalmente são classes e
> "alguns" objetos são conjuntos (os mais cuidadosamente construídos,
> digamos).

Pior que é ZFC mesmo. A ideia é permitir objetos que não sejam conjuntos
(e nem classes) no domínio. A formulação impura da teoria fica mais
complexa, mas, por outro lado, permite que se incluam axiomas próprios
que não versam sobre conjuntos, e.g., sobre pessoas, partículas etc. Aí,
Ex(x = x) não garante a existência de conjuntos porque nem tudo é
conjunto em uma teoria impura.   

Agora, falando de modo mais geral, a minha impressão é a seguinte: em
apresentações informais/semi-formais de uma teoria, nem todos os
pressupostos da lógica clássica são estritamente observados. Esse sobre
domínios vazios é um deles; outro é a pressuposição de que todos os
termos denotam. Por exemplo, quando se diz que não se pode dividir por
zero, parece que se está, na verdade, dizendo que termos como 1/0,2/0
etc. são vazios (não denotam, não estão definidos), o que a lógica
clássica não permite.

Abraços,

-- 
Henrique Antunes


On Mon, Oct 09, 2023 at 02:55:18PM -0300, 'Samuel Gomes da Silva' via LOGICA-L 
wrote:
> Oi Henrique,
> 
> Obrigado.
> 
> Esse predicado Sx que diz que x é conjunto, me parece algo mais de teoria de 
> classes não ? Em que os objetos formalmente são classes
> e "alguns" objetos são conjuntos (os mais cuidadosamente construídos, 
> digamos).
> 
> Sim, ajudou no sentido de bagunçar mais, hehe, é assim mesmo a coisa. 
> 
> Até mais
> 
> []s  Samuel
> 
> PS: Eu na prática tomo como inicial o Axioma do Vazio e evito tooooda essa 
> discussão, eu só estou querendo descobrir se tem
> algo mais justificável do que minha prática - cuja única justificativa que 
> tenho para ela é que "é mais fácil" dado que
> empurra toda a discussão pra baixo do tapete. 
> 
> 
> ----- Mensagem original -----
> De: "Henrique Antunes" <[email protected]>
> Para: "samuel" <[email protected]>
> Cc: "LOGICA-L" <[email protected]>, "Joao Marcos" <[email protected]>
> Enviadas: Segunda-feira, 9 de outubro de 2023 14:31:23
> Assunto: Re: [Logica-l] Re: Mesa de Filosofia da lógica: Consequência lógica
> 
> Oi, Samuel e colegas
> 
> A minha impressão é que o aluno tinha razão, mas com as seguintes
> qualificações: a teoria de conjuntos em questão tem de ser pura e
> inclusiva, ou seja, não permitir domínios vazios.
> 
> Agora, se a teoria for impura, então o fato de Ex(x = x) ser um teorema
> clássico não garante a existência do vazio, já que o objeto em questão
> pode não ser um conjunto.
> 
> Na apresentação do Suppes, por exemplo, ele toma o predicado Sx, para "x
> é um conjunto", como primitivo. Nesse caso, o axioma ExSx, "existe um
> conjunto", é necessário para provar a existência do conjunto vazio a
> partir do axioma da separação, já que alguns quantificadores que ocorrem
> nos demais axiomas são condicionalizados ao predicado S. Por exemplo, o
> axioma da separação é formulado assim: 
> 
> (z){ Sz -> (Ey)[ Sy & (x)(x \in y <-> (x \in z & A(x)) ] } 
> 
> (Mas o Suppes usa variáveis diferentes para conjuntos para abreviar). 
> 
> Espero ter ajudado mais do que bagunçado.
> 
> Abraços,
> 
> 
> -- 
> Henrique Antunes
> 
> 
> On Mon, Oct 09, 2023 at 09:57:04AM -0700, 'samuel' via LOGICA-L wrote:
> > Oi gente,
> > 
> > Aproveitando pra comentar da dúvida que eu apresentei na apresentação da 
> > Lidia
> > Batinga (que pro framework dela
> > deu pra ver que a resposta era "sim").
> > 
> > Aí, todo mundo pode dar aqui um pitaco que eu estou curioso com isso já faz 
> > uns
> > três anos.
> > 
> > Lá vai:
> > 
> > O primeiro axioma de Teoria dos Conjuntos, em muitos livros, é o Axioma do
> > Vazio:
> > 
> > "Existe x tal que para todo y, y não pertence a x"
> > 
> > (que depois é provado ser o único nessas condições pelo Axioma da 
> > Separação).
> > 
> > Pois bem: no livro do Kunen dos anos 80 (referência clássica em conjuntos), 
> > o
> > primeiro axioma
> > é um "axioma de existência de conjuntos":
> > 
> > "Existe x tal que x = x"
> > 
> > (como qualquer coisa é igual a si mesmo, o axioma essencialmente diz que 
> > existe
> > uma "qualquer coisa" pra ser igual a si mesma).
> > 
> > Dada a existência de um conjunto, dada pelo axioma acima, e o Axioma de
> > Separação, obtemos o conjunto vazio separando,
> > nesse x que foi dito existir digamos, o subconjunto
> > 
> > y = {z pertencente a x   |     z é diferente de z   }
> > 
> > e aí esse y não tem elementos (dado que nenhum z satisfaz o pedido) e por
> > unicidade (dada por Separação) ele é o vazio, OK.
> > 
> > Em resumo, pelo que vocês vêm acima, na presença do Axioma de Separação, 
> > dizer
> > que "existe um conjunto qualquer"
> > ou que "existe um conjunto vazio" dá na mesma, seriam axiomáticas 
> > equivalentes.
> > 
> > ... Mas aí vem a pegadinha.
> > 
> > Numa banca de mestrado que participei, o aluno "se recusou" a aceitar o 
> > axioma
> > do Kunen, "Existe x tal que x = x",
> > com o seguinte argumento:
> > 
> > ---> Essa asserção segue de um axioma lógico sobre igualdade, que é "Para 
> > todo
> > x, x = x", logo, se ela
> > segue de um axioma, essa asserção é um teorema e não deveria ser um outro
> > axioma.
> > 
> > ... Touché ! Dizer o quê pro aluno numa situação dessas ???
> > 
> > Depois de matutar um pouco a questão toda (pelo menos até onde eu vejo) é: 
> > ao
> > tratarmos de uma teoria,
> > NÓS TEMOS QUE PRESSUPOR QUE O DOMÍNIO DE DISCURSO É NÃO-VAZIO ?
> > 
> > Porque se o domínio de discurso é não-vazio para a Teoria dos Conjuntos, de
> > fato, para todo x deveríamos
> > ter x = x, então em particular existe x tal que x = x. Seria então um 
> > teorema,
> > não axioma.
> > 
> > Ao ver essa apresentação da Lidia, e uma apresentação que o Henrique Antunes
> > fez pra nós aqui na Matemática da UFBA,
> > 
> > Foi apresentada essa diferença entre a Lógica clássica e a lógica livre, no
> > qual, resumidamente
> > 
> > ---> Na lógica clássica os termos se referem a coisas que são supostas
> > existentes
> > 
> > ---> Na lógica livre isso não vale necessariamente, então podemos falar de
> > Pégaso e de outros entes imaginários...
> > 
> > Então eu penso, ok, na lógica classe os termos se referem a coisas que 
> > existem.
> > 
> > Mas - antes disso (de definir o que os termos fazem) nós teríamos que 
> > decidir
> > se existem coisas para que os termos possam se 
> > referir a elas, não ? Seria uma espécie de discussão anterior ao papel dos
> > termos, eles têm coisas existentes pra denotar ?
> > 
> > Então eu perguntei pra Lidia que estava apresentando sobre isso e deu pra 
> > ver
> > que ela pressupõe que o
> > universo de discurso é não-vazio,
> > 
> > E no livro do Kunen tem alguns momentos lá na frente que ele fala que "na
> > prática" tem que se supor que
> > o universo de discurso é não-vazio (posso achar a página exata se alguém
> > pedir),
> > 
> > Então minha dúvida é essa: ainda em oposição à lógica livre talvez,
> > 
> > Numa apresentação de uma teoria em lógica clássica,
> > 
> > Devemos, ou é preferível, ou é saudável, ou é do gosto pessoal de cada um,
> > 
> > -----> Supor que o domínio de discurso é não-vazio ?
> > 
> > Se sim, então o axioma "Existe x tal que x = x" é desnecessário (e Kunen 
> > teria
> > ficado contraditório lá no meio do 
> > livro dele ao dizer que já supunha o universo não vazio depois de colocar 
> > esse
> > "axioma zero" na primeira linha
> > do livro então...)
> > 
> > Gostaria de ouvir os colegas,
> > 
> > Abraços, e agradeço a Lidia por sua apresentação e por ter dado essa
> > oportunidade para uma discussão. 
> > 
> > []s  Samuel
> > 
> > 
> > 
> > 
> > 
> > 
> > 
> > Em quarta-feira, 4 de outubro de 2023 às 14:50:01 UTC-3, Joao Marcos 
> > escreveu:
> > 
> >     Mesa-redonda imperdível nesta 5a-feira, 05/10, às 19:00, transmitida 
> > pelo
> >     excelente canal do Núcleo de Lógica e Filosofia Analítica da UFMA:
> >     [1]https://www.youtube.com/live/rcRVKwJPmsk?si=VKK8nkCjLm5dGWmS
> > 
> >     Em sua segunda iteração, o Encontro Brasileiro de Filósofas Analíticas
> >     continua sua missão de abrir um espaço de diálogo para que 
> > pesquisadoras,
> >     em fase inicial ou intermediária de pesquisa, de todas as regiões do 
> > país,
> >     se conheçam, compartilhem suas pesquisas e formem uma rede de apoio que
> >     estimule cada vez mais a presença e permanência de mulheres na Filosofia
> >     Analítica, em suas mais diferentes ramificações.
> > 
> >     Na mesa de quinta-feira (05/10/23) teremos uma discussão de temas em
> >     filosofia da lógica com a Profa. Gisele Secco (UFSM) mediando as 
> > seguintes
> >     comunicações:
> >     - “Referência, Autorreferência e Circularidade” por Fernanda Birolli 
> > (USP)
> >     - “Lógica e ontologia: uma relação próxima” por Lídia Batinga (UFPB)
> >     - “Lógica abstrata: o que podemos fazer de novo?” Por Luiza Ramos (USP)
> > 
> >     %%%
> > 
> >     Toda uma série de eventos de alta qualidade vêm por aí, como parte
> >     da segunda iteração do Encontro Brasileiro de Filósofas Analíticas:
> >     [2]https://ebfanaliticas.wixsite.com/ebfa/general-5
> > 
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> > 
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