A minha intuição aqui, continuando a falar de modo alegórico, é que a matemática pura não dói. Assim como as estórias ficcionais não doem. Uma aplicação não-matemática seria qualquer coisa que dói. A tecnologia dói, mas a aplicação (não-matemática) nem precisa ser tecnológica. A organização econômica, que não é material, mas abstrata, também dói. A justiça institucionalizada (o direito) dói. Até o bom gosto, para muitos, dói. As possibilidades de aplicação são vastas.
Daniel. Em terça-feira, 10 de dezembro de 2019 11:41:35 UTC-3, marmo.tony escreveu: > > Entendo sua intuição. Mas, não saberia definir o que é uma aplicação > não-matemática. Com auxílio da matemática todos os dias resolvemos > problemas difíceis e criamos ferramentas úteis para nosso cotidiano, como o > sistema de GPS, o termostato que regula o ar condicionado, o controle > remoto da TV e tantas coisas mais que já incorporamos à vida moderna. Nosso > coletivo usa e se aproveita tanto da matemática que nem se dá conta dela! > > Mas, enfim, vamos afunilar a questão: quem defende a existência de > conjuntos paraconsistentes já tem uma ideia de possíveis aplicações > tecnológicas do conceito? > > On 10 Dec 2019, at 11:21, 'Durante' via LOGICA-L <[email protected] > <javascript:>> wrote: > > > Oi Tony, > > Ou seja, dir-se-á que não existem os unicórnios porque podemos ignorá-los >> já que eles não podem atacar-nos com seus chifres, ao contrário dos >> rinocerontes. >> Mas, então qual seria a consequência de ignorar conjuntos >> paraconsistentes? Qual seria o dano? >> > > Acho que esta é a pergunta fundamental! E não cabe aos matemáticos, aos > lógicos e nem aos filósofos respondê-la. Apesar de fundamental, é uma > pergunta que não merece nossa preocupação. Se a inclusão de conjuntos > paraconsistentes na estrutura que pressupomos para a realidade nos ajudar a > prever e evitar situações que, caso os ignorássemos, sentiríamos a dor das > pedras e das dívidas, então nós nos disporemos a considerá-los existentes, > reais. E não será preciso nenhuma filosofia para isso ocorrer, tanto quanto > não é preciso nenhuma filosofia para reconhecermos que o valor do dinheiro > existe. Ou seja, resumindo, se e quando os conjuntos paraconsistentes > tiverem aplicações não matemáticas, eles passarão a existir, > independentemente de nossa vontade ou tendências teóricas. > > Saudações, > Daniel. > > >> >> Em seg, 9 de dez de 2019 16:39, 'Durante' via LOGICA-L < >> [email protected]> escreveu: >> >>> Prezados, >>> >>> Aqui vão meus "dois tostões" de comentários alegóricos sobre o >>> formalismo. >>> >>> O que é isso que existe, que uma formalização bem definida indica >>> existir? Acho que o formalismo jamais chega àquilo que existe, mas apenas >>> ao conceito daquilo que se considera que existe. A formalização, como o >>> nome indica, nos leva a formas não a substâncias (conteúdo), e o >>> formalismo, eu acho, identifica a forma com o bolo. >>> Mas parece que algo se perde aí, afinal, é o bolo que sacia o apetite, >>> não a forma. Mas, para aquilo com o que não conseguimos tropeçar, que não >>> dói quando cai na nossa cabeça, que não é captado pelas antenas de nossos >>> celulares, o que haveria além da forma? Eu acho que há um elemento extra >>> não capturável pelo mero formalismo. Há uma disposição. >>> A existência, em um sentido amplo, me parece ser apenas uma disposição >>> do pensamento. >>> As pedras não são meros conceitos (formas), mas existem (têm substância, >>> realidade, conteúdo, são instanciadas) porque nos dispomos a pensar que >>> elas existem, e estamos assim dispostos, porque dói se as ignoramos. >>> Do mesmo modo, o valor do dinheiro existe porque nos dispomos a pensar >>> que ele existe, e estamos assim dispostos, porque dói (mais até do que >>> algumas pedras) se o ignoramos. >>> Algumas das entidades matemáticas existem porque nos dispomos a pensar >>> que elas existem, e estamos assim dispostos, porque elas dão estrutura à >>> nossa concepção da realidade, e a pressuposição desta estrutura nos ajuda a >>> prever e evitar situações em que sentiríamos a dor das pedras e das >>> dívidas. Ou seja, estamos dispostos a pensar que algumas entidades >>> matemáticas existem, porque dói se as ignoramos. >>> O chupa-cabras não existe porque não estamos dispostos a pensar que ele >>> exista, e não estamos assim dispostos, porque ignorá-lo não dói. >>> Quanto ao estilo e ao bom gosto, bem, eu diria que variadas versões >>> deles existem para alguns, mas não existem para outros. Existem para >>> aqueles cuja sensibilidade mais frágil os faria sentir dor em situações nas >>> quais eles os ignoram. E não existem para aqueles mais casca grossa para >>> quem ignorar o estilo e o bom gosto jamais provocaria qualquer dor. >>> >>> Saudações, >>> Daniel. >>> >>> Em sexta-feira, 6 de dezembro de 2019 22:31:42 UTC-3, gonzalcg escreveu: >>>> >>>> Prezado Walter e lista, >>>> >>>> Coincido contigo, que o formalismo ---e fundamentalmente o de Hilbert, >>>> entre tantas variantes dele--- é uma saída "confortável" e eu >>>> acrescentaria: genial. Além disso, o formalismo foi apresentado mais de >>>> uma >>>> vez como uma alternativa ao idealismo-platonismo. >>>> >>>> O problema está quando o platonismo que jogamos fora pela porta, entra >>>> pela janela de uma concepção platonista da linguagem. Claro, um problema >>>> para aqueles que se reivindicam não platonistas, como eu. >>>> >>>> Sim, "não somente em matemática" como você disse. Porque envolve-se em >>>> contextos mais amplos que o relacionam com vários outros problemas, como >>>> posições realistas e não realistas em ciência empírica: >>>> existe o eléctron? >>>> existe o inconsciente? >>>> existe a vida? >>>> >>>> Carlos >>>> >>>> >>>> >>>> >>>> >>>> On Sat, Dec 7, 2019 at 12:23 AM Walter Alexandre Carnielli < >>>> [email protected]> wrote: >>>> >>>>> Olá Carlos e tod@s, >>>>> >>>>> SIm, é a velha questão da existência, mas não somente em matemática. >>>>> Na matemática temos a questão da existência dos números complexos, >>>>> do infinito,do ponto...mas também fora disso há a questão da >>>>> existência do estilo, do bom gosto, etc. O formalismo é uma saída. >>>>> confortável, >>>>> e talvez a única. Não tenho nada contra os sócios da SADAF (que >>>>> sempre me pareceu saída de um conto do Borges) e menos ainda >>>>> contra os argentinos :-) >>>>> >>>>> Abraços, >>>>> >>>>> Walter >>>>> >>>>> Em sex., 6 de dez. de 2019 às 15:21, Carlos Gonzalez >>>>> <[email protected]> escreveu: >>>>> > >>>>> > Caro Walter e lista, >>>>> > >>>>> > Ai, a velha questão da existência em matemática! >>>>> > >>>>> > Parece que o tua posição está inspirada de alguma maneira em Hilbert >>>>> ou no formalismo, quando você escreve: >>>>> > >>> >>>>> > É natural aceitar esta noção de "existir" como "estrutura. >>>>> > matemática definida rigorosamente". >>>>> > <<< >>>>> > >>>>> > Se não assumir uma posição idealista ou platonista extrema, a >>>>> existência em matemática é uma analogia ---quase uma metáfora--- da >>>>> existência metafísica na realidade ou na natureza. >>>>> > >>>>> > Suponha que formalizamos Chapeuzinho Vermelho em ZF: >>>>> > ∅ é Chapeuzinho >>>>> > {∅} é a mãe dela >>>>> > {{∅}} é a vovozinha >>>>> > {∅,{∅}} é o lobo mau >>>>> > {∅,{{∅}}} é o caminho do bosque >>>>> > etc. >>>>> > Podem ser definidas relações: "x mãe de y", "x avô de y", "x come >>>>> y", "x vai por y", etc. >>>>> > Um hilbertiano poderia afirmar que Chapeuzinho Vermelho existe. Mas >>>>> é uma existência matemática, não existe na natureza. >>>>> > >>>>> > Isto não é uma brincadeira, mas um problema muito sério. >>>>> > Por exemplo, pensemos na relação Bedeutung de Frege, mal traduzida >>>>> como "denotação", etc. >>>>> > Nessa concepção, o termo "mesa" nunca pode "denotar" a mesa que eu >>>>> estou usando para escrever, nem o termo "rio Amazonas" pode "denotar" o >>>>> rio >>>>> homônimo no norte do Brasil: >>>>> > o termo "rio Amazonas" "denota", na concepção fregiana, um objeto >>>>> matemático, porque a relação foi definida à maneira matemática. >>>>> > >>>>> > Possivelmente, atrás desse problema e do abuso de maneiras >>>>> matemáticas esteja mais uma vez alguma forma do "paradoxo da análise", >>>>> como >>>>> parece assinalar o trabalho de Tomas Moro Simpson. >>>>> > "Formas Lógicas, Realidad y significado", cuja leitura recomendo, >>>>> apesar dele ter sido argentino e sócio da SADAF (que nem eu :-) ) >>>>> > >>>>> > Carlos >>>>> > >>>>> > >>>>> > >>>>> > >>>>> > On Thu, Dec 5, 2019 at 5:21 PM Walter Carnielli < >>>>> [email protected]> wrote: >>>>> >> >>>>> >> Oi Tony, >>>>> >> >>>>> >> A pergunta é boa. E a minha resposta, da maneira mais simples >>>>> >> possível, vai ser também. :-) >>>>> >> A teoria de conjuntos clássica (standard) é apenas uma coleção de >>>>> >> sentenças. O que garante a "existência" dos conjuntos clássicos? >>>>> >> Seus modelos, levando em conta o Axioma do Infinito. >>>>> >> >>>>> >> Mas o que é "existir"? Existe o modelo de Von Neumann dos naturais, >>>>> >> por exemplo? >>>>> >> Em ZF os números naturais são definidos recursivamente. via >>>>> ordinais >>>>> >> de von Neumann tomando 0 = { } (o conjunto vazio) >>>>> >> e n + 1 =S(n)= n ∪ {n} para cada n. A estrutura ⟨N, 0, S⟩ é um >>>>> modelo >>>>> >> dos axiomas. de Peano. >>>>> >> A "existência" do conjunto N segue do axioma do infinito de ZF. >>>>> >> É natural aceitar esta noção de "existir" como "estrutura. >>>>> >> matemática definidarigorosamente". Existe >>>>> >> tanto, ou msis, quanto a ironia, o bom gosto ou a boa-vontade. >>>>> >> >>>>> >> Analogamente, o que garante a existência de conjuntos >>>>> >> paraconsistentes? Resposta: seus modelos; >>>>> >> Nossos modelos, baseados em Twist-Valued Models, são bastante >>>>> >> próximos, neste sentido, dos modelos standard de ZF. >>>>> >> Abs >>>>> >> >>>>> >> W. >>>>> >> >>>>> >> Em qui, 5 de dez de 2019 14:05, Tony Marmo <[email protected]> >>>>> escreveu: >>>>> >> > >>>>> >> > Caro Walter, >>>>> >> > >>>>> >> > Já que levantou o assunto, vou fazer uma pergunta: >>>>> >> > >>>>> >> > Os conjuntos paraconsistentes existem? >>>>> >> > >>>>> >> > Uma paráfrase possível para essa pergunta: o que garante a >>>>> existência de conjuntos paraconsistentes? >>>>> >> > >>>>> >> > Obrigado >>>>> >> > >>>>> >> > Em qui, 5 de dez de 2019 12:36, Walter Carnielli < >>>>> [email protected]> escreveu: >>>>> >> >> >>>>> >> >> Caros colegas: >>>>> >> >> >>>>> >> >> Em vista do interesse do assunto, julgamos apropriado divulgar, >>>>> >> >> abraços, >>>>> >> >> Walter >>>>> >> >> ========================= >>>>> >> >> Twist-Valued Models for Three-valued Paraconsistent Set Theory >>>>> >> >> W. Carnielli and M. E. Coniglio >>>>> >> >> https://arxiv.org/pdf/1911.11833.pdf >>>>> >> >> >>>>> >> >> Light abstract: >>>>> >> >> >>>>> >> >> Paraconsistent set theory (PST) is the theoretical move to >>>>> maintain >>>>> >> >> the freedom of defining sets, while stripping the theory of >>>>> >> >> unnecessary principles, so as to avoid triviality -- a disastrous >>>>> >> >> consequences of contradictions involving sets in ZF. A hard >>>>> problem >>>>> >> >> is to find good models for PST. >>>>> >> >> >>>>> >> >> B. Löwe and S. Tarafder proposed in 2015 a class of algebras >>>>> based on >>>>> >> >> a certain kind of implication which satisfy several axioms of >>>>> ZF. From >>>>> >> >> this class, they found a specific 3-valued model called PS3 which >>>>> >> >> satisfies all the axioms of ZF, and can be expanded with a >>>>> >> >> paraconsistent negation *, thus obtaining a paraconsistent model >>>>> of >>>>> >> >> ZF. The logic (PS3 ,*) coincides (up to the language) with da >>>>> Costa >>>>> >> >> and D'Ottaviano logic J3, a 3-valued paraconsistent logic that >>>>> have >>>>> >> >> been proposed independently in the literature by several authors >>>>> and >>>>> >> >> with different motivations such as CluNs, LFI1 and MPT. >>>>> >> >> >>>>> >> >> We propose in this paper a family of algebraic models of ZFC >>>>> based on >>>>> >> >> LPT0, another linguistic variant of J3 introduced by us in 2016. >>>>> The >>>>> >> >> semantics of LPT0, as well as of its first-order version QLPT0, >>>>> is >>>>> >> >> given by twist structures defined over Boolean algebras. >>>>> >> >> >>>>> >> >> Twist-valued models are natural generalizations of the >>>>> Boolean-valued >>>>> >> >> models of set theory independently introduced by Scott, Solovay >>>>> and >>>>> >> >> Vopěnka. >>>>> >> >> >>>>> >> >> Our twist-valued models are adapted to provide a class of >>>>> twist-valued >>>>> >> >> models for (PS3,*), thus generalizing Löwe and Tarafder's >>>>> results. It is >>>>> >> >> shown that they are in fact models of ZFC (not only of ZF). >>>>> >> >> ==================================== >>>>> >> >> >>>>> >> >> Walter Carnielli >>>>> >> >> https://waltercarnielli.com/ >>>>> >> >> >>>>> >> >> Centre for Logic, Epistemology and the History of Science and >>>>> >> >> Department of Philosophy >>>>> >> >> State University of Campinas –UNICAMP >>>>> >> >> 13083-859 Campinas -SP, Brazil >>>>> >> >> >>>>> >> >> CV Lattes : http://lattes.cnpq.br/1055555496835379 >>>>> >> >> >>>>> >> >> -- >>>>> >> >> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo >>>>> "LOGICA-L" dos Grupos do Google. >>>>> >> >> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails >>>>> dele, envie um e-mail para [email protected]. >>>>> >> >> Para ver esta discussão na web, acesse >>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CA%2Bob58PmnD0nmGai5Fz4kfeJ_Dd%3DTq0Z%3DnVeFH9Y22F1GdeMeQ%40mail.gmail.com >>>>> . >>>>> >> >>>>> >> -- >>>>> >> Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo >>>>> "LOGICA-L" dos Grupos do Google. >>>>> >> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails >>>>> dele, envie um e-mail para [email protected]. >>>>> >> Para ver esta discussão na web, acesse >>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CA%2Bob58Na7LD5PTbkbj%3DUCuyK%3DAA0327arRgsq7%3DFdw7LsKxsEg%40mail.gmail.com >>>>> . >>>>> > >>>>> > -- >>>>> > Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" >>>>> dos Grupos do Google. >>>>> > Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >>>>> envie um e-mail para [email protected]. >>>>> > Para ver essa discussão na Web, acesse >>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAGJaJ%2B8mAwhaVOKi5dGCx-M5_hpoNoCJzF6jt2Au7BE4Rzff3A%40mail.gmail.com >>>>> . >>>>> >>>> -- >>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos >>> Grupos do Google. >>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >>> envie um e-mail para [email protected]. >>> Para ver essa discussão na Web, acesse >>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/0eb5335f-7c9a-4b49-aa15-fa6331954907%40dimap.ufrn.br >>> >>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/0eb5335f-7c9a-4b49-aa15-fa6331954907%40dimap.ufrn.br?utm_medium=email&utm_source=footer> >>> . >>> >> -- > Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos > Grupos do Google. > Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie > um e-mail para [email protected] <javascript:>. > Para ver essa discussão na Web, acesse > https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/91fe953e-d116-4c3a-8fe8-5ea98cafd806%40dimap.ufrn.br > > <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/91fe953e-d116-4c3a-8fe8-5ea98cafd806%40dimap.ufrn.br?utm_medium=email&utm_source=footer> > . > > -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. 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