JM, uma questão de entendimento aqui.
Repudiar sem justificativa boa qq fenômeno cartorial ou qq fenômeno
cartorial sem justificativa boa deve ser repudiado? Acho q vc quer dizer a
2a, sim?
Concurso é um fenômeno cartorial, a meu ver.  E o modelo de concursos
poderia ser abolido se tivéssemos outro sistema, comissões de busca,
talvez. Mas além da nossa burocracia cartorial de herança lusitana, a nossa
estrutura jurídica é processual, o que exige um processo como o do concurso
(processo ≠ modelo) cuja função é garantir a objetividade, embora saibamos
q isso é um ideal mais q uma realidade. No caso de comissões de busca, uma
avaliação menos antiquada do percurso formativo e profissional me parece
mais favorável e mais fácil de implementar. Além de poder ser, talvez,
menos meritocrático, como apontou o Marcos, com quem estou plenamente de
acordo nesse ponto, ou ainda tem alguém q acredita nesse papai noel
meritocrático universitário aqui?
Relativamente aos diplomas, tenho de confessar q não posso discordar do
Julio e já tinha falado isso antes. Mas produção, se entendida em termos
quantitativos, tampouco; serve mais pro ego do escritor, q se encanta pela
própria linguagem, do q pra contribuição científica de fato. E isso tem
várias outras implicações, transversais e diretas, com o ponto aqui. A
primeira é dar muita importância ao concurso, pq depois q entra... enfim.
Além disso, conheço mais de um colega, alguns amigos, com diploma de X q
não fazem absolutamente nada em X, ao contrário, permanecem analfabetos na
área em q foram contratados para lecionar e pesquisar, mas mesmo assim lá
ficam, não sei se por meritocracia, pelo fenótipo, ter estudado com X ou Y,
por participar de algum grupo hegemônico, ser neto ou parente de alguém ou
pelo valor mesmo do trabalho, ou até pela dificuldade de demitir alguém na
máquina pública brasileira. Mas a área de lógica está cheia desse fenômeno
tupiniquim: pessoas com diplomas de doutorado em filosofia por mera
contingência de arranjo institucional, pois se diplomaram em departamentos
de filosofia tendo feito trabalhos de lógica matemática exata (nem de
lógica, simplesmente, reforço, lógica matemática exata). Acho isso, na
verdade, ótimo, pois areja a filosofia. Só que também acho difícil
encontrar o inverso em departamentos de matemática, se estou errado, quero
q me mostrem, pois sou falível, mas eu nunca vi. Tirando uma ou outra
exceção, claro, como o falecido Ubi D'Ambrosio, ou o Newton da Costa,
exceções q confirmam a regra. Isso sem falar em doutores ultraprodutivos e
com diploma mas sem vergonha, mas deixemos isso pra lá por enqto, pq ao
menos isso algumas bancas ainda conseguem avaliar. Diante disso, eu me
pergunto: será tão ilegítima, descabida e injustificada assim a exigência
de graduação em filosofia para um departamento de filosofia? Note-se q no
caso específico o departamento de filosofia da UnB não está mal provido de
professores de lógica, e os dois q conheço não são graduados apenas em
filosofia, o Alexandre tb tem graduação em direito e o Rodrigo é engenheiro
e tem 2 doutorados, 1 em matemática e outro em filosofia. É esse o
departamento q está fazendo reserva de mercado? Decisões colegiadas
frequentemente são bastante complexas e envolvem muitos matizes. Não estou
defendendo o departamento de filosofia da UnB de nada, mas tudo isso leva a
pensar q na verdade a filosofia - não apenas na UnB - é uma área em q isso
q foi chamado aqui de reserva de mercado não faz o menor sentido, pois a
quantidade de professores formados em física, matemática, direito, artes,
ciências sociais e sei lá mais o quê que leciona em departamentos de
filosofia nas universidades brasileiras é bem considerável e eu truco q uma
pesquisa empírica vai mostrar q esse fenômeno é menor em outros
departamentos. E às vezes por imposição, pois o q outros departamentos
refugam, manda lá pra filosofia, pq filosofia não é ciência mesmo, cabe qq
coisa.
Diploma algum significa nada, no fim das contas. Mas a impressão q eu tenho
é q só na filosofia é q incomoda.
Abraços,
cass.


Cassiano Terra Rodrigues
Prof. Dr. de Filosofia - IEF-H-ITA

Rua Tenente Brigadeiro do ar Paulo Victor da Silva, F0-206
Campus do DCTA
São José dos Campos
São Paulo, Brasil
CEP: 12228-463
Tel. (+55) 12 3305 8438

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lealdade, humildade, procedimento


On Thu, Dec 15, 2022 at 8:49 AM Joao Marcos <[email protected]> wrote:

> > Exigir diploma de filosofia para trabalhar com filosofia é uma medida de
> exclusão?
> > Eu não sei. Eu acho que não.
>
> Parece-me relevante lhe pedir para inserir a qualificação "DE
> GRADUAÇÃO" entre "diploma" e "em filosofia", para que a discussão
> anterior continue sendo justa.
>
> (É fato que eu particularmente defendi ---e outros colegas também
> defenderam---- a proposta *inclusiva* segundo a qual o DIPLOMA EM X
> não deveria ser *necessário* para CONCORRER a uma vaga na ÁREA X, o
> que é algo que vai bem além do requisito acerca do diploma DE
> GRADUAÇÃO que deu origem a esta thread.)
>
> > Eu sou um brasileiro preto e periférico, como vários discentes de
> filosofia nas nossas universidades públicas. Estou tentando cuidar dos meus.
>
> Confesso que não entendi porque não haveria brasileiros pretos e
> periféricos que não seriam potencialmente *excluídos* pela exigência
> de GRADUAÇÃO EM X, com X=Filosofia...  Bacharéis em Direito ou
> Teologia, digamos, podem tranquilamente ser brasileiros pretos e
> periféricos, certo?
>
> []s, Joao Marcos
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