Deixe-me ver se entendo: você está defendendo que a exigência do diploma de GRADUAÇÃO em Filosofia neste concurso específico (ou qualquer outro?) foi introduzida como uma questão de política pública? Mais ainda, está defendendo que esta seja a única alternativa para a implementação desta medida de política pública particular? (Obviamente que podemos perguntar se ela é SUFICIENTE para assegurar os objetivos arrolados, certo?)
Abraços, JM On Thu, Dec 15, 2022, 07:38 Marcos Silva <[email protected]> wrote: > > > On Thu, Dec 15, 2022 at 3:55 PM Joao Marcos <[email protected]> wrote: > >> Hummm, esta sua contribuição me pareceu perigosamente próxima da falácia >> do espantalho, Marcos... >> > > okay. por quê? > > >> >> Você poderia desenvolver melhor o argumento específico que conectaria de >> forma necessária (ou mesmo suficiente) o *diploma de GRADUAÇÃO na área X* >> com a existência de *interesse ou competência em problemas da área X* por >> parte do candidato (eventualmente aprovado pela banca do concurso)? >> > > JM, acho que estamos falando de política academica e não de metafísica. > > é irreal se exigir condições de necessidade e suficiência para tratar de > questões sociais complexas. Me parece claro que não há necessidade e nem > suficiência ao se tratar de políticas públicas. Eu acho que este tipo de > exigência abstrata e ideal paralisaria, por exemplo, a implementação de > ações afirmativas muito importantes. > > >> []s, João Marcos >> > > abraços, > Marcos > > >> >> On Thu, Dec 15, 2022, 06:53 Marcos Silva <[email protected]> wrote: >> >>> Car@s colegas, >>> >>> >>> aqui vão meus dois centavos de contribuição para esta discussão. >>> >>> >>> Às vezes eu vejo com perplexidade a hegemonia de uma visão liberal e >>> meritocrática da universidade e da pesquisa acadêmica nesta lista. >>> >>> >>> Me parece legítimo que um departamento de filosofia, e qualquer outro, >>> possa orientar o perfil desejado de um professor de uma universidade >>> pública com algumas exigências de formação, sim. Isto não é reserva de >>> mercado tanto quanto ações afirmativas para pretos não é racismo reverso. >>> >>> >>> >>> A gente pode querer assegurar, sim, ter um lógico, ou matemático, com >>> interesse em filosofia num departamento de filosofia e tentar estimular, >>> sim, que um lógico ou matemático procure ter formação em filosofia tb, se >>> quiser trabalhar em um departamento de filosofia. >>> >>> >>> Um departamento nao pode intervir para prevenir distorções que podem ser >>> muito prejudiciais no medio e longo prazo? Como, por exemplo, ter um >>> docente num departamento de filosofia por 30 anos sem interesse ou >>> competência em problemas filosóficos? No modelo atual, isto é possível. >>> Alias, voce vê isto em alguns lugares: lógicos ou matemáticos trabalhando >>> em um departamento de filosofia com muito pouco ou nenhum interesse em >>> filosofia. >>> >>> >>> >>> Não há uma resposta fácil para isto no atual modelo de gestão da >>> academia. Mas a lógica do “que ganhe o melhor e pronto” nao previne isto. >>> Ou “são as publicações que contam”. Isto talvez funcione para alguns países >>> de capitalismo central. Mas para um país periférico como o nosso, cheio de >>> distorções, assimetrias e desequilíbrios de poder e oportunidades, eu não >>> sei. A candidata selecionada simplesmente por produtividade vai ter >>> interesse em conseguir bolsas para os alunos e alunas de filosofia? Vai >>> procurar recursos para a pos de filosofia? Vai se preocupar em ter uma rede >>> de pesquisa e diálogo com a área e com outros departamentos de filosofia? >>> >>> >>> Eu acho que "ganha quem tem o melhor currículo” ou “quem publica mais” >>> reforça uma visão individualista e meritocrática que sufoca e sufocou as >>> universidades nos últimos anos, está adoecendo muita gente e faz a gente >>> ficar extremamente vulnerável, por exemplo, a ataques de um governo de >>> extrema direita. Além disso, esta visão é muito nociva para discentes >>> periféricos que entram na universidade com muitas deficiências. “Que se >>> contrate quem publica mais” vai perpetuar as distorções com as quais nós, >>> infelizmente, já nos acostumamos. >>> >>> >>> Acho importante tentar assegurar que um professor ou professora de um >>> departamento de filosofia possa orientar alunos e alunas com interesse em >>> filosofia, possa fomentar e eventualmente defender, sim, a área de >>> filosofia em um ambiente institucional cada vez mais tecnocrata e hostil às >>> áreas humanas. Vale sempre lembrar que no Brasil, um professor, num >>> departamento de filosofia, além de publicar, também deveria ensinar na >>> filosofia, ter atividade de extensão e projetos na filosofia e ser >>> eventualmente coordenador da graduação e pos de filosofia. >>> >>> >>> Vale tb pontuar que eu não concordo com a maneira como concursos >>> públicos para professores do nível superior são feitas no Brasil. Eu acho >>> extremamente constrangedor, por exemplo, pela incrível artificialidade, que >>> a gente tenha que fazer uma prova escrita sem consulta por quatro horas de >>> um tema sorteado. Em oito anos de docência na universidade eu nunca tive >>> que fazer algo sequer parecido com isto. >>> >>> >>> Mas apesar disso, eu realmente acredito que um departamento de >>> filosofia, e qualquer outro, deve poder decidir, sim, exigências mínimas de >>> formação para tentar prevenir estrategicamente distorções possíveis. >>> >>> >>> Abraços, >>> Marcos >>> >>> On Thu, Dec 15, 2022 at 2:44 PM Julio Stern <[email protected]> wrote: >>> >>>> Caro Cassiano: >>>> Bom dia. >>>> Creio que eh Muito importante em um concurso aferir a capacidade do >>>> candidato para atuar em funcoes que sejam importantes para a instituicao >>>> que o esta potencialmente contratando. >>>> Em uma universidade, isto inclui, necessariamente, >>> (P) Pesquisa + >>>> (E) Ensino + (X) Extensao. >>>> >>>> Como voce me perguntou especificamente sobre o Ensino, faco a respeito >>>> alguns comentarios adicionais. >>>> Creio que o professor que ministra uma disciplina de graduacao ou pos >>>> em uma universidade deva ser capaz orientar seus alunos na area. >>>> De preferencia, ser capaz de orientar uma tese no assunto ou, ao menos >>>> de fornecer boas ideias sobre futuros assuntos de pesquisa, sobre possiveis >>>> orientadores de tese, etc. >>>> Ou seja, ter feito ele mesmo uma disciplina de graduacao no assunto, no >>>> Jardim de Infancia, no Colegio Tecnico, ou na Graduacao em Filosofia, pouco >>>> ou nada contribui para capacita-lo a ensinar Filosofia em uma universidade. >>>> >>>> Esclareco ainda que estes comentarios nada tem de especial em relacao a >>>> area de Filosofia. >>>> Sou Professor Titular do IME-USP , o Instituto de Matematica e >>>> Estatistica da USP. >>>> Tenho Graduacao em Fisica, um Mestrado em Fisica Matematica, outro >>>> Mestrado em Engenharia Industrial, um Ph.D. em Pesquisa Operacional, e uma >>>> Livre Docencia em Computacao. ... >>>> Voce acha que Pode? Poderia? Deveria ser possivel uma carreira >>>> assim? >>>> Na minha carreira, isto nunca foi impedimento. >>>> >>>> As instituicoes onde trabalhei queriam saber da minha capacidade de: >>>> (P) Produzir Pesquisa de boa qualidade em Algumas de suas areas de >>>> interesse (ressalto que Algumas, Nao Todas, pois isto seria impossivel >>>> para a maioria dos mortais); >>>> (E) Ensinar com propriedade -- enquanto pesquisador nestas areas -- >>>> disciplinas de interesse na instituicao; >>>> (X) Fazer ou participar -- enquanto pesquisador nestas areas -- de >>>> Assessorias, >>>> Consultorias, ou outras formas relevantes de Extensao. >>>> Sem falsa modestia, acho que nao as decepcionei, mesmo sem ter diploma >>>> ``bem casado'' (que eh o nome de um docinho muito acucarado e >>>> enjoativo). >>>> >>>> Tudo de bom, ---Julio >>>> >>>> ------------------------------ >>>> *From:* Cassiano Terra Rodrigues <[email protected]> >>>> *Sent:* Wednesday, December 14, 2022 10:38 PM >>>> *To:* Aldo Figallo-Orellano <[email protected]> >>>> *Cc:* Julio Stern <[email protected]>; Daniel Durante < >>>> [email protected]>; Lista Lógica <[email protected]>; Joao >>>> Marcos <[email protected]>; [email protected] <[email protected]>; >>>> João Daniel Dantas <[email protected]> >>>> *Subject:* Re: [Logica-l] Concurso Público (FIL-UnB) - Área: Lógica >>>> >>>> Julio, nessa produção, vc inclui tb docência para o jardim da infância >>>> e adolescência ou isso é desprezível? >>>> Se for desprezível, discordo veementemente. Acho q deveria contar e >>>> muito nos concursos, ao contrário do habitual. >>>> Abraços, >>>> cass. >>>> >>>> Em qua., 14 de dez. de 2022 18:37, Aldo Figallo-Orellano < >>>> [email protected]> escreveu: >>>> >>>> Concordo plenamente com o professor Stern. >>>> >>>> >>>> >>>> Em qua., 14 de dez. de 2022 18:31, Julio Stern <[email protected]> >>>> escreveu: >>>> >>>> Caros: >>>> Para mim, Jardim de infancia, Primario, Ginasio, Colegio e Graduacao, >>>> pertencem a etapas da (pre-) adolescencia, e nao ha a menor >>>> justificativa >>>> em exigir que, para qq funcao academica, um candidato tenha >>>> colegio tecnico ou graduacao disto ou daquilo --- eh ridiculo. >>>> Quanto a pos-graduacao, pode-se obter excelente formacao em >>>> Filosofia, e deptos de Filosofia, Matematica, Fisica, Computacao, >>>> Antropologia, Historia, etc., etc., etc. >>>> Esta balela de exigir diplominha disto ou daquilo tem que acabar. >>>> O que interessa eh producao academica, ponto. >>>> Tudo de bom, ---Julio Stern >>>> >>>> ------------------------------ >>>> *From:* [email protected] <[email protected]> on behalf of >>>> Daniel Durante <[email protected]> >>>> *Sent:* Wednesday, December 14, 2022 7:42 PM >>>> *To:* Cassiano Terra Rodrigues <[email protected]> >>>> *Cc:* Lista Lógica <[email protected]>; Joao Marcos < >>>> [email protected]>; [email protected] <[email protected]>; João >>>> Daniel Dantas <[email protected]> >>>> *Subject:* Re: [Logica-l] Concurso Público (FIL-UnB) - Área: Lógica >>>> >>>> Oi Cassiano, João Daniel e Colegas, >>>> >>>> Concordo com tudo o que você disse, Cassiano, só que eu acho que alguém >>>> que tem doutorado em filosofia, escolheu dedicar-se à filosofia, e >>>> demonstrou alguma competência, já que obteve o título. Qual a razão, então, >>>> de privar essa pessoa da possibilidade de dedicar-se à área que escolheu? >>>> >>>> Veja, não podendo fazer inscrição, a pessoa nem consegue a oportunidade >>>> de demonstrar sua capacidade. >>>> >>>> Será que é medo de que quem não fez graduação em filosofia não consiga >>>> dar aula de graduação em filosofia? Bem, se o medo é esse, a exigência >>>> deveria ser licenciatura em qualquer área, e não graduação em filosofia. O >>>> curso de bacharelado em filosofia, por exemplo, não cobra essa habilidade >>>> de seus alunos. >>>> >>>> Isso sem falar que uma das etapas de todos os concursos é dar uma aula >>>> em nível de graduação. Quem não sabe, não passa. >>>> >>>> Já se o medo é, conforme sugeriu João Daniel, que o candidato com outra >>>> graduação não saiba suficientemente filosofia, já que os pontos do concurso >>>> são muito especializados em lógica matemática, e o professor vai trabalhar >>>> em um departamento de filosofia, então, se o medo é esse, que se mude o >>>> programa do concurso e inclua pontos “filosóficos". >>>> >>>> Aquilo que se espera de um candidato deveria estar expresso nos pontos >>>> do concurso e não em uma exigência específica de graduação. Não consigo ver >>>> nenhuma preocupação legítima que possa ser motivação para essa exigência de >>>> graduação na área que não seja melhor atendida mediante uma elaboração >>>> criteriosa do programa do concurso. >>>> >>>> Saudações, >>>> Daniel. >>>> ----- >>>> Departamento de Filosofia - (UFRN) >>>> http://danieldurante.weebly.com >>>> >>>> On 14 Dec 2022, at 14:05, Cassiano Terra Rodrigues < >>>> [email protected]> wrote: >>>> >>>> Camaradas, bons dias. >>>> Como se trata de dar opinião, vou dar a minha, já q sou graduado e pós >>>> graduado em filosofia, pela UNICAMP, e tive uma formação pífia em lógica, >>>> pois na minha graduação havia 1 único semestre reservado para a disciplina >>>> e muito desprezado tanto pelo corpo docente quanto pelo discente. Estou >>>> falando da década de 1990, qdo a graduação em filosofia na UNICAMP era >>>> recém nascida. Hoje, creio eu, a situação é outra, tanto por parte da carga >>>> horária quanto por parte do interesse, e até onde sei muita coisa mudou, >>>> não apenas na UNICAMP. da qual podem falar com propriedade quem está lá. >>>> No entanto, para fazer o advogado do diabo e tentar apresentar um >>>> contexto mais amplo, não posso deixar de lembrar q "reservas de mercado" >>>> não surgem do nada e não sobrevivem pairando no céu. Relativamente ao >>>> concurso da UnB, o edital diz "graduação em filosofia", o que me parece >>>> incluir licenciatura e bacharelado, não? Posso estar enganado, não li o >>>> edital todo, mas se for realmente isso, a pessoa pode ter bacharelado em >>>> matemática, engenharia ou direito e licenciatura em filosofia (ou >>>> vice-versa) e estaria apta a prestar o concurso. Se for isso mesmo, não >>>> vejo tanto problema na exigência; é restritivo, mas nem tanto. Digo isso pq >>>> acho q cabe aqui lembrar q a carreira docente nas universidades brasileiras >>>> inclui a docência, apesar de muita gente não gostar disso. E a realidade no >>>> Brasil é q há mais cursos de filosofia com professores q são formados em >>>> teologia ou direito do q em filosofia (a CAPES, até bem pouco tempo, >>>> reunia as áreas de Teologia e Filosofia, e a separação não mudou a >>>> realidade). Isso incapacita os professores a priori? Não creio q seja o >>>> caso. Mas é um fato a se pensar q nem Aristóteles, nem Galileo enfrentaram >>>> o contexto da profissionalização q hoje é imprescindível. Diploma não é >>>> garantia de conhecimento, mas se prescindirmos dos diplomas, então q seja >>>> abolida também a estrutura disciplinar, departamental e burocrática q >>>> sustenta a universidade como instituição de produção capitalista de >>>> conhecimento (lembremos q a "modernização" departamental foi uma imposição >>>> do regime militar, severamente criticada à época; hj, é praticamente um >>>> dado da natureza, tamanha a falta de questionamento). Não me parece q temos >>>> o q por no lugar em nenhum país do mundo e isso nada tem q ver com recusar >>>> a interdisciplinaridade; inclusive, eu diria q no atual estágio de >>>> capitalização das universidades no mundo, a interdisciplinaridade é um >>>> fator desejado para a reprodução do capital. Eu mesmo faço um elogio da >>>> interdisciplinaridade e sou a favor de concursos abertos à diferentes >>>> áreas, mas é preciso defender a especificidade da formação ao mesmo tempo, >>>> não apenas para a pesquisa, mas sobretudo para a docência, pois a >>>> interdisciplinaridade no conhecimento vem do aprofundamento específico - é >>>> por aprofundar o conhecimento na sua área q alguém busca o de outras, >>>> deixem-me dizer assim - é o próprio desenvolvimento das questões q leva à >>>> necessidade de recorrer a outros saberes, pois conhecer, pesquisar, >>>> filosofar ou fazer ciência são atividades essencialmente comunicativas. No >>>> contexto de fragmentação das áreas de conhecimento, a filosofia, coitada, >>>> parece q perdeu tanto terreno q até hoje sofre a perda da identidade, mas >>>> tb sofre de falta de respeito por parte de outras áreas, q são >>>> esquizofrênicas qdo se trata de lidar com a filosofia. Se é possível >>>> filosofar em alemão, tupi ou mesmo português, e poetas e até donos de >>>> padaria filosofam, ao mesmo tempo filosofia não é qualquer coisa q basta >>>> querer fazer para conseguir. A esquizofrenia está aí: ninguém sabe o q é >>>> filosofia, mas todo mundo quer filosofar e acha q consegue. Longe de mim >>>> dizer quem pode ou não fazer qq coisa, mas entre a intenção e o gesto vai >>>> uma distância e não me parece q seja possível muito menos desejável >>>> escamotear q para não ficarmos presos ao senso comum é fundamental a >>>> sistematização formal do conhecimento (e isso é um direito q as escolas >>>> públicas devem garantir aos estudantes, aliás). Ao mesmo tempo, na minha >>>> avaliação, o insulamento da área de filosofia no Brasil levou a tal >>>> ignorância e descolamento da realidade q resultaram em elitismos >>>> vergonhosos; mas mesmo internamente à filosofia o insulamento é terrível, >>>> muitos sequer reconhecem a importância de estudar com um mínimo de >>>> seriedade algo q não está na sua prateleira elegida (não é de escolhas >>>> pessoais q falo, afinal, cada um escolhe a sua área de dedicação por razões >>>> psicológicas, qdo a situação o permite). Felizmente, penso, isso está >>>> mudando, ainda que talvez de modo muito indutivo. O diploma garante alguma >>>> coisa, nesse sentido? Acho q não, ou muito pouco. Mas o diploma, não como >>>> documento, mas como resultado de um percurso, é prescindível? Não creio q o >>>> seja e acho q poderia ser melhor. >>>> Perdoem-me o relato pessoal, mas não é por desabafo, é para levar ao >>>> ponto q o faço. Na minha graduação, tive péssimos professores formados em >>>> qualquer área, simplesmente pq, apesar de contratados e pagos como >>>> professores, detestavam lecionar. Eu tb não gostava tanto assim de ir às >>>> aulas, então, não faço condenações pessoais. E gostar de lecionar, é claro, >>>> tampouco garante a qualidade da aula. O ponto é o sentido da formação e o >>>> compromisso com a formação, q a meu ver deve necessariamente ir além do >>>> carreirismo pessoal. Muitos professores ainda hoje não lecionam um único >>>> curso sequer em vários anos ou, se conseguem, lecionam apenas na >>>> pós-graduação cursos q interessam aos seus orientandos (a UNICAMP era uma >>>> bolha elitista, naquela época; basta citar q havia pouquíssimos cursos >>>> noturnos e muitos em período integral). Já ouvi de mais de um colega q dar >>>> aulas é como um pedágio para fazer pesquisa. Então, pra q serve a >>>> indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão? Nem vou falar da >>>> função social da extensão, ultimamente muito debatida. Mas a continuar essa >>>> mentalidade, tanto faz o diploma, pois é muito fácil lecionar a bel-prazer. >>>> Falta de compromisso pedagógico e liberdade docente são coisas bem >>>> diferentes, e, falando especificamente agora, planejar e executar um curso >>>> de lógica que dialogue com a formação em filosofia, da perspectiva da >>>> lógica contemporânea, não é fácil e exige muito mais q conhecimento da >>>> disciplina, exige tanto formação em lógica e filosofia quanto formação >>>> pedagógica. Nesse sentido, é mesmo estranho q nesse edital a filosofia >>>> esteja ausente. Mas o q me parece ruim mesmo é a falta de exigência >>>> pedagógica, o q fica a critério da banca, no fim das contas. Mas será q o >>>> bacharelado basta e isso pode ser relegado ao juízo da banca? Faz sentido, >>>> pq, afinal, o último projeto nacional de formação de professores foi de >>>> fato o Normal (o Magistério foi um remanejamento para baixo do Normal) e as >>>> licenciaturas não dão conta dessa tarefa. >>>> Eu entendo q a finalidade da pesquisa é a formação do estudante, pois >>>> sem isso a própria pesquisa não continua, então acho muito complicado q >>>> para concursos de instituições regidas pela indissociabilidade citada baste >>>> o diploma de bacharel e a prova didática seja avaliada por pessoas cuja >>>> única formação docente é, na maioria das vezes, a própria experiência ou >>>> quase isso. Não vejo muito outro jeito, pois de temos de partir do real, >>>> mas sem imaginar um futuro diferente fica difícil mudar. >>>> >>>> Saudações, >>>> cass. >>>> On Wednesday, December 14, 2022 at 11:17:16 AM UTC-3 Joao Marcos wrote: >>>> >>>> > Me parece que a questão é a completa ausência de temas relacionados a >>>> filosofia da lógica em um concurso para um departamento de filosofia. >>>> >>>> Não sei se dá para dizer que esta é "a questão", nesta thread, mas >>>> certamente é uma _outra questão_ importante, além daquela que foi >>>> levantada por João Ferrari. >>>> >>>> Vários anos atrás rolaram algumas conversas aqui interessantes sobre >>>> que temas deveriam fazer parte de um concurso como este. Uma thread >>>> nesta direção, do longínquo ano de 2008, foi esta, na qual >>>> participaram em particular os saudosos amigos Andrea Loparic e Carlos >>>> Gonzalez: >>>> >>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/g/logica-l/c/aBuc6Lyg4R0/m/y3OqInfGt6IJ >>>> >>>> Teria sido interessante acompanhar a evolução do tema ao longo dos >>>> anos, com a coleta evidencial de programas de concursos que já >>>> ocorreram, no país, para a área de Lógica na Filosofia. (Fiz isso >>>> durante vários anos, e divulguei sempre nesta lista. Depois me >>>> cansei, tendo notado haver pouco interesse na área de Filosofia para >>>> dar continuidade a este diálogo.) >>>> >>>> > O candidato que domina os 10 temas do concurso não necessariamente >>>> sabe sobre como fazer filosofia. Independente da graduação. >>>> >>>> E será que a _graduação_ específica em Filosofia, neste caso, >>>> garantiria que o candidato aprovado "sabe sobre como fazer filosofia"? >>>> (Esta questão particular está claramente relacionada à questão >>>> original desta thread.) >>>> >>>> []s, JM >>>> >>>> >>>> -- >>>> LOGICA-L >>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de >>>> Lógica <[email protected]> >>>> --- >>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos >>>> Grupos do Google. >>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >>>> envie um e-mail para [email protected]. >>>> Para ver essa discussão na Web, acesse >>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/3E873E9D-35DF-487A-AA17-6CB42FC353E0%40gmail.com >>>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/3E873E9D-35DF-487A-AA17-6CB42FC353E0%40gmail.com?utm_medium=email&utm_source=footer> >>>> . >>>> >>>> -- >>>> LOGICA-L >>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de >>>> Lógica <[email protected]> >>>> --- >>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos >>>> Grupos do Google. >>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >>>> envie um e-mail para [email protected]. >>>> Para ver essa discussão na Web, acesse >>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CPYP284MB143156332549DF573A906F9FB6E09%40CPYP284MB1431.BRAP284.PROD.OUTLOOK.COM >>>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CPYP284MB143156332549DF573A906F9FB6E09%40CPYP284MB1431.BRAP284.PROD.OUTLOOK.COM?utm_medium=email&utm_source=footer> >>>> . >>>> >>>> -- >>>> LOGICA-L >>>> Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de >>>> Lógica <[email protected]> >>>> --- >>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" dos >>>> Grupos do Google. >>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >>>> envie um e-mail para [email protected]. >>>> Para ver essa discussão na Web, acesse >>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CPYP284MB143122D397D8556BB1E59681B6E19%40CPYP284MB1431.BRAP284.PROD.OUTLOOK.COM >>>> <https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CPYP284MB143122D397D8556BB1E59681B6E19%40CPYP284MB1431.BRAP284.PROD.OUTLOOK.COM?utm_medium=email&utm_source=footer> >>>> . >>>> >>> >>> >>> -- >>> Marcos Silva (UFPE/CNPq) >>> Philosophy Department >>> Federal University of Pernambuco, Brazil >>> Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE >>> <https://www.ufpe.br/ppgfilosofia/>) >>> Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica >>> <https://periodicos.ufpe.br/revistas/perspectivafilosofica> >>> https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy >>> "amar e mudar as coisas me interessa mais" >>> >> > > -- > Marcos Silva (UFPE/CNPq) > Philosophy Department > Federal University of Pernambuco, Brazil > Director of Graduate Studies (PPGFIL/UFPE > <https://www.ufpe.br/ppgfilosofia/>) > Editor-in-chief Revista Perspectiva Filosófica > <https://periodicos.ufpe.br/revistas/perspectivafilosofica> > https://sites.google.com/view/marcossilvaphilosophy > "amar e mudar as coisas me interessa mais" > -- LOGICA-L Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de Lógica <[email protected]> --- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. 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