Valeria,

Obrigado pelos comentários.

Primeiro:
" sao bem menores do que os do caso do paper sobre o axioma da escolha"

Desculpa, mas eu não sei a que paper você está se referindo. Agradeço se
especificar.

Segundo:
Existem em filosofia sérias discordâncias metodológicas.
Queria colocar uma delas e gostaria de saber a posição dos membros da
lista, em público ou em privado.
Vamos lá.
A prof. Kennedy afirma:
"The axioms of PA include the commutative law of addition".
E eu assinalo que essa afirmação é falsa, citando van Heijenoort.

Verdade que a gente fala "axiomas de AP" como formando parte do folclore e
aparecendo em manuais introdutórios.
A autora não faz citação. Tratando-se de um artigo filosófico deveria citar
alguma fonte, eu acho. Eu sou um pouco fanático de citações bem feitas:
livro, número de página, por exemplo.
Não estou discutindo se é ou não necessária, pois você fala:
"comutatividade da adicao nao 'e necessaria?"
Estou dizendo que não é enunciada como axioma na AP.
Como se alguém falasse: "tem uma lata de cerveja na geladeira", mas não tem.
Será um "pecado menor"?

Então se eu falar, "existe um cardinal inacessível está entre os axiomas de
ZF", também é um erro não muito sério?

Para mim, é melhor citar de mais, que citar de menos. E facilita o trabalho
científico e a crítica.

Mas onde eu sou radical, é que um trabalho sério não pode fazer afirmações
falsas porque esqueceu de verificar a citação.

Não sei, gostaria de ver a posição dos colegas e que me falem se estou
exagerando.

Carlos


On Thu, Jan 2, 2020 at 10:28 PM Valeria de Paiva <[email protected]>
wrote:

> Alo Carlos, e todos,
>
> Desculpe, mas eu nao acho que o artigo seja ruim nao.
>
> De novo, 'e escrito pra gente que nao 'e da area.
>
> Os "erros" nesse caso sao bem menores do que os do caso do paper sobre o
> axioma da escolha. (comutatividade da adicao nao 'e necessaria? pecado
> pequeno!)
> Sao simplificacoes para facilitar o entendimento, me parece. como disse o
> JM.
>
> A pergunta original do JM me parece bem interessante e a discussao que se
> seguiu tb.
> concordo completamente com o Hermogenes que
> >Típico matemático clássico! Sempre que há uma bela e elegante construção,
> substitui uma definição
> existencial e alega um resultado mais geral e abstrato. ;-)
>
> E' claro que a uma certa altura, estamos discutindo o que individualmente
> achamos mais claro ou mais elucidativo ou mais razoavel e ai as pessoas as
> vezes nao convergem.
>
> eu concordo com o Rodrigo que:
> >A representabilidade é relativa a uma nomeação das fórmulas.
> e tb tambem q
> > Por nomeação entendo uma atribuição de termos a fórmulas de modo
> injetivo. Normalmente isso é chamado de godelizacao.
> mas discordo de
> >Sua questão deve ser entendida assim: mostre que há uma nomeação das
> fórmulas tal que a diagonalização é representável com essa nomeação.
>
> quando a "prova" prossegue com
> >Enumere as fórmulas que não são diagonalização com os termos para os
> números primos.
> e eu vou explicar pra um aluninho o que sao numeros primos, eu ja' uso
> a aritmetica tradicional, como de costume.
>
> dai que concordo mais com:
> >A codificação particular escolhida por Gödel é, de fato, inessencial,
> como observou o próprio Gödel, e pode ser substituída,
> eventualmente por versões melhores, sem qualquer prejuízo.  Porém, a
> aritmetização em si me parece desempenhar um papel central.
>
> Enfim, sempre bom saber de maneiras de reformular as coisas que sejam ou
> nao equivalentes.
> aprendemos todos mais algumas coisas, ou pelo menos eu aprendi.
>
> mas a pergunta que o JM fez, que me parece a mais interessante 'e como a
> gente define o que 'e uma codificacao melhor ou uma pior?
> qual deve ser o criterio pra codificacoes?
>
> Acho que chamar a professora no caso de uma "impostora intelectual" 'e
> pegar pesado.
> mas de novo, isso 'e so' mimha opiniao.
>
> Meus melhores votos pra 2020,
> Valeria
>
>
>
>
> On Wed, Jan 1, 2020 at 2:16 PM Carlos Gonzalez <[email protected]> wrote:
>
>> Prezado JM e lista,
>>
>> Só agora que li o artigo em questão. O lado bom é que gerou uma discussão
>> muito interessante na lista.
>>
>> Más o artigo é muito ruim, um lixo.
>> Por exemplo:
>> "Gödel’s own position. In remarking that “My theorems only show that the
>> mechanization of mathematics . . . is impossible” (italics mine), Gödel was
>> expressing the view that while the activity of the mathematician cannot be
>> reduced to a set of computational rules, mathematics is nevertheless still
>> decidable, meaning that the truth of any mathematical proposition can, at
>> least in principle, be decided one way or another, by human beings"
>>
>> :-) Deve estar usando a famosa regra super-indutiva: "se existe um x tal
>> que P(x), então para todo x vale P(x)"
>> -----> como a atividade do matemático não pode ser reduzida a um conjunto
>> de regras computacionais, nunca é decidível, de modo que a verdade de 2+2=4
>> deve ser decidida por seres humanos <-----
>> Non sequitur!
>>
>> "In ordinary language, consider, say, a system with a fixed finite
>> alphabet together with some simple axioms describing the behaviour of the
>> natural numbers 0, 1, 2 . . "
>>
>> "In ordinary languaje" os números naturais são bem, mas muito bem
>> comportados. A aritmética de Presburger descreve ou não o comportamento dos
>> número naturais?
>>
>> Só para evitar outro erro comum: as fórmulas indecidíveis tem de ter
>> variáveis e o seu prefixo mínimo é "para todo x existe y para todo z". Para
>> as fórmulas sem variáveis, AP é completa e decidível. Também para fórmulas
>> com prefixo "para todo x existe y" e "existe x para todo y". Ackermann
>> trabalhou muito para mostrar fragmentos da lógica de primeira ordem que são
>> decidíveis, dando início ao que depois foi o método de eliminação de
>> quantificadores de Tarski.
>>
>> "The axioms of PA include the commutative law of addition"
>> Por favor, me ajudem a encontrar a lei da comutatividade da adição!
>> P. ex., na página 94 do livro de van Heijenoort.
>> Eu nunca vi na minha vida alguém escrever os axiomas de AP e colocar
>> a comutatividade da adição.
>>
>> Várias outras críticas foram feitas por colegas na discussão desse artigo.
>>
>> Mas acho que os mal-entendidos dessa senhora são tão básicos que
>> dificilmente seja interessante continuar discutindo esse artigo.
>> Repito, entretanto, que várias contribuições da discussão nesta lista são
>> muito esclarecedoras e devem ser tomadas em séria consideração.
>>
>> Com relação à senhora Juliette Kennedy, talvez seja conveniente pensar
>> seriamente em abandonar a filosofia da matemática.
>>
>> O capítulo 10 do livro "Imposturas intelectuais" de Sokal e Bricmont
>> trata sobre os abusos usando o Teorema de Gödel e a Teoria de Conjuntos.
>> Mas parece que isso é um história de nunca acabar.
>>
>> Colegas: sintam-se a vontade para assinalar erros e mal-entendidos meus.
>>
>> Carlos
>>
>> Off topic: Décadas atrás, Roberto Cignoli era diretor da Revista da
>> Uniión Matemática Argentina. Pediu-me para fazer uma resenha do livro "El
>> Teorema de Gödel", de Emilio Díaz Estévez.
>> Eu tomei o trabalho muito seriamente, anotando num caderno muitos erros
>> básicos de lógica que continha o livro.
>> Mostrei para Cignoli, que falou: "Si ese tipo no entendió nada de lógica,
>> entonces no vale la pena publicar una reseña."
>> Nunca foi publicada la resenha na revista de UMA e longas horas de
>> trabalho minhas foram perdidas.
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>> On Wed, Dec 18, 2019 at 1:32 PM Joao Marcos <[email protected]> wrote:
>>
>>> Kurt Gödel and the mechanization of mathematics
>>> - Juliette Kennedy discusses Kurt Gödel’s Incompleteness Theorems: the
>>> ingenious proofs and enduring impact
>>> https://www.the-tls.co.uk/articles/kurt-godel-incompleteness-theorems/
>>>
>>>
>>> JM
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