O teorema como apresentado abstratamente no clássico TMR não tem a alegada 
hipótese existencial que esconde uma construção. Eles demonstram que para 
*qualquer* nomeação das fórmulas, ou falha a representabilidade da 
diagonalização ou falha a representabilidade da teoremicidade. Qual vai falhar, 
depende da nomeação, como mostrei aqui. Não é questão de concordar, só de 
entender o enunciado. Não há uso de codificação na demonstração. 


No que me concerne, foi me perguntado se eu poderia, porventura, representar a 
diagonalização *na aritmética* sem usar aritmetizacao. Pois bem, posso resolver 
o problema sem usar a divisão em primos e compostos. Se eu usasse só a divisão 
entre pares e ímpares estaria bom? Ou a dicotomia pares e ímpares ainda conta 
como aritmetizacao? Se for por esse caminho, qualquer representação matemática 
na aritmética é aritmetizacao por definição, e devo supor que aritmetizacao 
começou com Pitagoras, ou antes dele, não com Godel. Entendo que aritmetizacao 
não é um termo definido, como já disse, mas supõe-se que o lema da função beta 
de Godel e a definibilidade das funções recursivas são parte dessa técnica. Não 
preciso usar nada disso. 

Abraço




> Em 2 de jan de 2020, à(s) 19:28, Valeria de Paiva <[email protected]> 
> escreveu:
> 
> Alo Carlos, e todos,
> 
> Desculpe, mas eu nao acho que o artigo seja ruim nao.
> 
> De novo, 'e escrito pra gente que nao 'e da area. 
> 
> Os "erros" nesse caso sao bem menores do que os do caso do paper sobre o 
> axioma da escolha. (comutatividade da adicao nao 'e necessaria? pecado 
> pequeno!)
> Sao simplificacoes para facilitar o entendimento, me parece. como disse o JM.
> 
> A pergunta original do JM me parece bem interessante e a discussao que se 
> seguiu tb.
> concordo completamente com o Hermogenes que
> >Típico matemático clássico! Sempre que há uma bela e elegante construção, 
> >substitui uma definição
> existencial e alega um resultado mais geral e abstrato. ;-)
> 
> E' claro que a uma certa altura, estamos discutindo o que individualmente 
> achamos mais claro ou mais elucidativo ou mais razoavel e ai as pessoas as 
> vezes nao convergem.
> 
> eu concordo com o Rodrigo que:
> >A representabilidade é relativa a uma nomeação das fórmulas.
> e tb tambem q
> > Por nomeação entendo uma atribuição de termos a fórmulas de modo injetivo. 
> > Normalmente isso é chamado de godelizacao.
> mas discordo de
> >Sua questão deve ser entendida assim: mostre que há uma nomeação das 
> >fórmulas tal que a diagonalização é representável com essa nomeação.
> 
> quando a "prova" prossegue com
> >Enumere as fórmulas que não são diagonalização com os termos para os números 
> >primos. 
> e eu vou explicar pra um aluninho o que sao numeros primos, eu ja' uso a 
> aritmetica tradicional, como de costume.
> 
> dai que concordo mais com:
> >A codificação particular escolhida por Gödel é, de fato, inessencial, como 
> >observou o próprio Gödel, e pode ser substituída,
> eventualmente por versões melhores, sem qualquer prejuízo.  Porém, a 
> aritmetização em si me parece desempenhar um papel central.
> 
> Enfim, sempre bom saber de maneiras de reformular as coisas que sejam ou nao 
> equivalentes. 
> aprendemos todos mais algumas coisas, ou pelo menos eu aprendi.
> 
> mas a pergunta que o JM fez, que me parece a mais interessante 'e como a 
> gente define o que 'e uma codificacao melhor ou uma pior?
> qual deve ser o criterio pra codificacoes?
> 
> Acho que chamar a professora no caso de uma "impostora intelectual" 'e pegar 
> pesado.
> mas de novo, isso 'e so' mimha opiniao.
> 
> Meus melhores votos pra 2020,
> Valeria
> 
> 
> 
> 
> On Wed, Jan 1, 2020 at 2:16 PM Carlos Gonzalez <[email protected]> wrote:
>> Prezado JM e lista,
>> 
>> Só agora que li o artigo em questão. O lado bom é que gerou uma discussão 
>> muito interessante na lista.
>> 
>> Más o artigo é muito ruim, um lixo.
>> Por exemplo:
>> "Gödel’s own position. In remarking that “My theorems only show that the 
>> mechanization of mathematics . . . is impossible” (italics mine), Gödel was 
>> expressing the view that while the activity of the mathematician cannot be 
>> reduced to a set of computational rules, mathematics is nevertheless still 
>> decidable, meaning that the truth of any mathematical proposition can, at 
>> least in principle, be decided one way or another, by human beings"
>> 
>> :-) Deve estar usando a famosa regra super-indutiva: "se existe um x tal que 
>> P(x), então para todo x vale P(x)"
>> -----> como a atividade do matemático não pode ser reduzida a um conjunto de 
>> regras computacionais, nunca é decidível, de modo que a verdade de 2+2=4 
>> deve ser decidida por seres humanos <-----
>> Non sequitur!
>> 
>> "In ordinary language, consider, say, a system with a fixed finite alphabet 
>> together with some simple axioms describing the behaviour of the natural 
>> numbers 0, 1, 2 . . "
>> 
>> "In ordinary languaje" os números naturais são bem, mas muito bem 
>> comportados. A aritmética de Presburger descreve ou não o comportamento dos 
>> número naturais?
>> 
>> Só para evitar outro erro comum: as fórmulas indecidíveis tem de ter 
>> variáveis e o seu prefixo mínimo é "para todo x existe y para todo z". Para 
>> as fórmulas sem variáveis, AP é completa e decidível. Também para fórmulas 
>> com prefixo "para todo x existe y" e "existe x para todo y". Ackermann 
>> trabalhou muito para mostrar fragmentos da lógica de primeira ordem que são 
>> decidíveis, dando início ao que depois foi o método de eliminação de 
>> quantificadores de Tarski.
>> 
>> "The axioms of PA include the commutative law of addition"
>> Por favor, me ajudem a encontrar a lei da comutatividade da adição!
>> P. ex., na página 94 do livro de van Heijenoort.
>> Eu nunca vi na minha vida alguém escrever os axiomas de AP e colocar a 
>> comutatividade da adição.
>> 
>> Várias outras críticas foram feitas por colegas na discussão desse artigo.
>> 
>> Mas acho que os mal-entendidos dessa senhora são tão básicos que 
>> dificilmente seja interessante continuar discutindo esse artigo.
>> Repito, entretanto, que várias contribuições da discussão nesta lista são 
>> muito esclarecedoras e devem ser tomadas em séria consideração.
>> 
>> Com relação à senhora Juliette Kennedy, talvez seja conveniente pensar 
>> seriamente em abandonar a filosofia da matemática.
>> 
>> O capítulo 10 do livro "Imposturas intelectuais" de Sokal e Bricmont trata 
>> sobre os abusos usando o Teorema de Gödel e a Teoria de Conjuntos. Mas 
>> parece que isso é um história de nunca acabar.
>> 
>> Colegas: sintam-se a vontade para assinalar erros e mal-entendidos meus.
>> 
>> Carlos
>> 
>> Off topic: Décadas atrás, Roberto Cignoli era diretor da Revista da Uniión 
>> Matemática Argentina. Pediu-me para fazer uma resenha do livro "El Teorema 
>> de Gödel", de Emilio Díaz Estévez.
>> Eu tomei o trabalho muito seriamente, anotando num caderno muitos erros 
>> básicos de lógica que continha o livro.
>> Mostrei para Cignoli, que falou: "Si ese tipo no entendió nada de lógica, 
>> entonces no vale la pena publicar una reseña."
>> Nunca foi publicada la resenha na revista de UMA e longas horas de trabalho 
>> minhas foram perdidas.
>> 
>> 
>> 
>> 
>> 
>> 
>> 
>> On Wed, Dec 18, 2019 at 1:32 PM Joao Marcos <[email protected]> wrote:
>>> Kurt Gödel and the mechanization of mathematics
>>> - Juliette Kennedy discusses Kurt Gödel’s Incompleteness Theorems: the
>>> ingenious proofs and enduring impact
>>> https://www.the-tls.co.uk/articles/kurt-godel-incompleteness-theorems/
>>> 
>>> 
>>> JM
>>> 
>>> -- 
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>>> dos Grupos do Google.
>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, envie 
>>> um e-mail para [email protected].
>>> Para ver esta discussão na web, acesse 
>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAO6j_Lgzncc2mR5dGtvf717cHoHJ-1aaZgncPnS6VwHeu64cpw%40mail.gmail.com.
>> 
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>> Para ver essa discussão na Web, acesse 
>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CAGJaJ%2B9U73qCYx8bt0Q4Myw9sB5-tYQXKp38Uj0SPWc2HmTZTg%40mail.gmail.com.
> 
> 
> -- 
> Valeria de Paiva
> http://vcvpaiva.github.io/
> http://www.cs.bham.ac.uk/~vdp/
> 
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