Bons dias, camaradas. 
De fato, não é possível ser neutro nem hoje nem em qq tempo. 
Como não se trata de fazer proselitismo tampouco, peço licença para deixar 
um registro aqui de opções políticas, e não meramente eleitorais 
enquadradas no modelo da ordem burguesa-liberal. Peço q aqueles q não se 
identificam ideologicamente q desconsiderem e justifico minha mensagem na 
lista de lógica lembrando q o falso dilema é uma conhecida falácia de 
simplificação. 
Assim, lembro q as propostas políticas q logo adiante exemplifico foram 
sistematicamente esquecidas pelo espetáculo hegemônico, mas também por uma 
considerável parcela de eleitores q se dizem de esquerda, mesmo q as pautas 
defendidas pelas propostas q apresento aqui fossem ao encontro de muito do 
q defendem esses mesmos eleitores de esquerda - derrotar o fascismo, 
contrariar a lógica do encarceramento em massa do povo pobre e negro, 
diminuir a jornada de trabalho, lutar contra o sexismo machista da nossa 
sociedade etc. 
São as propostas: 

https://www.instagram.com/unidadepopular/?hl=en 
https://pcb.org.br
https://www.pstu.org.br

Observo ainda q a proposta do PCB cresceu nas redes digitais (o próprio PCB 
divulgou os gráficos do Google e do Twitter, peço desculpas, não consegui 
recuperá-los) e ainda assim foi alijada dos debates hegemônicos. Esses 
debates, ao q me parece, têm a função de cada vez mais estetizar a 
política, despolitizando-a, portanto, conforme o diagnóstico de Walter 
Benjamin (não considero a lógica do espetáculo inexorável, como Debord, mas 
não sou capaz de oferecer outra leitura). É uma pergunta a investigar, q a 
lógica como ciência a meu entender não consegue responder sozinha, por que 
um diagnóstico crítico e até onde é possível dizer correto dos problemas 
sociais não leva a conclusões consistentes consigo mesmo (com o 
diagnóstico). É um fenômeno bastante já evidenciado em eleitores de 
direita: criticam corretamente aspectos profundamente injustos da realidade 
social, apontam corretamente as contradições do sistema (perdoem-me a 
vagueza), mas optam por apoiar projetos políticos q reforçarão aquilo q 
criticam. Não me parece q essa maneira de raciocinar seja exclusiva da 
direita instituída. Eu mesmo, em vários aspectos, me decepciono com a minha 
incapacidade de ser coerente comigo mesmo, ou ao menos com algum ideal de 
mim mesmo q gostaria de realizar, mas fico aquém. 
Ao mesmo tempo, pouco ou quase nenhum debate se deu acerca de projetos de 
país q se alcem acima da gestão do imediato, o que, na minha falível 
interpretação, ajudou a promover a falácia da naturalização do status quo e 
da luta inescapável contra Hitler, fazendo da inflexão ao centro a única 
esquerda possível para a maioria dos eleitores (i.e., favoreceu a falácia 
ad Hitlerum). Isso, pelo meu juízo, se deu a ponto não apenas de rebaixar o 
horizonte de expectativas transformadoras da nossa sociedade, como ainda de 
deslegitimar qualquer desacordo relativamente à ordenação bem intencionada, 
porém incapaz de levantar o punho contra essa mesma ordem (ou qualquer 
ordem, eu arriscaria). Em suma, o que quero dizer, com isso, é que a 
estratégia comunicativa da burguesia funcionou, e muito bem. Se o candidato 
de certas facções oligárquicas não vinga, essas mesmas oligarquias tampouco 
perdem, vez q financiam as únicas alternativas eleitorais q dominaram a 
comunicação para a maioria da população (impõem uma tautologia, no fim das 
contas). O diagnóstico de Enzo Traverso para a Itália parece-me bastante 
apropriado nesse contexto brasileiro: a esquerda realmente não existe, se 
entendida a política como instituição. Isso não só significa uma ruptura 
tremenda na continuidade histórica da esquerda como relega à marginalidade 
da esfera política, ou mesmo à exclusão total, toda teoria crítica (não 
falo apenas no sentido dos teóricos de Frankfurt). Ainda que movimentos 
ecológicos, antirracistas e antifascistas desfiram golpes e travem genuínas 
batalhas, a perspectiva de conquistar as instituições para transformá-las 
ou mesmo destruí-las foi completamente capturada pela direita e cada vez 
mais a ultra-direita avança no projeto de enrijecer as estruturas de poder 
q sustentam a ordem liberal-burquesa, disfarçando esse projeto com 
pontuações que parecem críticas (é o movimento conhecido - forçar a 
contradição para controlá-la, numa tendência de uniformização total, 
inclusive das insatisfações). É possível reconstruir algo crível com esse 
legado, dentro dos limites desse "überkommene Hintergrund", como diria 
Wittgenstein? Nos discursos hegemônicos, parece que realmente só há uma 
reabilitação do passado - o que é logicamente muito consistente, afinal, 
mudar as estruturas seria derrubar a porta e jogá-la fora junto com as 
dobradiças - ou podemos pensar em outra metáfora, se pensarmos em outra 
possibilidade de tradução de Wittgenstein: trocar o anzol para pegar outros 
peixes é uma opção? Não me parece q a 1a metáfora seja uma alternativa, mas 
sim q a segunda seja uma estratégia. 
Seja como for, a se confirmar o diagnóstico eleitoral para hoje, teremos 
motivos para comemorar uma derrota individual há tempos desejada e 
necessária e, com isso, talvez consigamos algum fôlego para outras lutas. 
Não é possível negar q há movimentações de re-existência. Espero q 
consigamos doravante se não comemorar grandes vitórias, ao menos impor mais 
algumas derrotas aos pusilânimes e fascistas e, com isso, renovar e 
reexistir.
Saudações,
cass. 


 
 
 


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