Oi Márcio,

Não vi ainda mas parece interessante.

Você poderia comentar um pouco sobre as relações entre Flow Theor
<http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/t/fed74aa17f31ddda?utm_source=digest&utm_medium=email>y
e  teoria de tipos ,em particular sobre o abstrator lambda que forma
funções?

W.

Em qua, 6 de nov de 2019 08:10, <[email protected]> escreveu:

> [email protected]
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>
>    - INSCRIÇÕES ATÉ 12/11/2019: Prof
>    <#m_2500684615994902327_group_thread_0>
>
>


>    - Flow Theory: conjuntos, relações e categorias como casos
>    particulares do conceito de função
>    
> <http://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/group/logica-l/t/fed74aa17f31ddda?utm_source=digest&utm_medium=email>
>
>
> "Márcio Palmares" <[email protected]>: Nov 05 10:29AM -0200
>
> Olá, pessoal!
>
> Compartilho a seguir o link para o preprint de um artigo que será em breve
> publicado (assim esperamos):
>
> http://philsci-archive.pitt.edu/16610/
>
> Trata-se de uma teoria de primeira ordem com igualdade e uma única letra
> funcional, cuja interpretação pretendida é o conceito intuitivo de função,
> mais precisamente a ideia de "valoração", "calcular em", ou "avaliação"
> (evaluation): f_1^2(x, y) = x(y).
>
> O propósito dessa teoria é modificar a máxima "todas as coisas são
> conjuntos", ou "tudo é conjunto", substituindo-a por "todas as coisas são
> funções" ou "tudo é função".
>
> Não é um programa novo, apesar de os resultados que apresentamos no
> preprint, sim, são novos. Entre eles, destacamos:
>
> 1) O paradoxo de Russell é evitado de forma muito simples, sem necessidade
> de algo similar ao Esquema de Separação;
>
> 2) A definição usual de igualdade de funções é um teorema em Flow, que
> decorre de um axioma de extensionalidade associado a "propriedades
> universais" de duas funções especiais;
>
> 3) Par ordenado é teorema;
>
> 4) Potência é teorema;
>
> 5) Não há redução do conceito de avaliação ao de composição, como em
> categorias, tais ideias permanecem distintas, o que nos permite observar
> fenômenos que não aparecem quando usamos apenas "lentes categoriais".
>
> Como é bem sabido, von Newmman introduziu em seu famoso artigo de 1925 uma
> proposta de fundamentação para a matemática inteiramente assentada na ideia
> de função, isto é, em que os conjuntos são definidos por meio de funções e,
> portanto, figuram numa posição subordinada.
>
> Por outro lado, é também evidente que a teoria de categorias concede grande
> centralidade à ideia de função (generalizada no conceito de morfismo),
> subordinando os conjuntos ao papel de meros objetos que, a rigor, são
> dispensáveis: podem ser substituídos por morfismos-identidade ("object-free
> definition"). Note-se, a propósito, a antevisão de von Neumman, que
> apresentou sua proposta vinte anos antes do artigo "A general theory of
> natural equivalences" de Eilenberg e Mac Lane. (Não estamos sugerindo
> correlação direta entre tais trabalhos ou entre as duas visões sobre
> matemática que eles representam, apenas tentando enfatizar o papel
> preponderante que funções podem adquirir frente aos conjuntos.)
>
> O trabalho que agora submetemos à critica é um desenvolvimeto de pesquisas
> realizadas há vários anos pelo Prof. Adonai Sant'anna, em parceria com o
> Prof. Otávio Bueno e com o Prof. Newton da Costa, sobre a possibilidade de
> eliminar o máximo número de conceitos primitivos "dispensáveis" (definíveis
> por meio de outros) na axiomatização de teorias físicas e também de teorias
> matemáticas usuais, como a teoria de conjuntos.
>
> A primeira formulação das ideias que deram origem à Teoria Flow apareceu
> num artigo do Prof. Adonai e do Prof. Otávio Bueno publicado em 2014,
> intitulado "Sets and functions in theoretical physics". Neste trabalho,
> entretanto, a então "Teoria N" mantinha-se ainda muito próxima da ideia
> original de von Neumman e não se fazia uso sistemático de métodos
> categoriais (busca pelos fenômenos de dualidade, adjunção, propriedades
> universais, etc.) para a obtenção de linhas de investigação ou resultados
> novos. Por isso, duas funções especiais, constantes introduzidas por von
> Neumman para fazer o papel análogo ao daquilo que hoje chamamos de
> "classificador de subobjetos" de Set, isto é, ligadas ao conceito de função
> característica, permaneciam sem significado na Teoria N, a despeito do fato
> de que o próprio artigo já sugerisse a possibilidade de investigar com mais
> profundidade o possível significado dessas funções.
>
> Na formulação atual, tais constantes, representadas com 0 e 1, são agora
> funções muito especiais, que possuem "propriedades universais", de certo
> modo "duais" (a notação já sugeria, desde a Teoria N, embora não
> intencionalmente, a dualidade objeto terminal vs. inicial).
>
> Por estar assentada no conceito de avaliação (evaluation) e não no conceito
> de composição, como a teoria de categorias, Flow é simultaneamente distinta
> da teoria de categorias e parece conter a teoria de categorias, na medida
> em que esta pode ser vista como a descrição de um subuniverso de Flow, em
> que por razões práticas pode ser útil introduzir a ideia de composição
> restrita, domínio e codomínio, etc. (Em Flow, todas as funções são
> "componíveis", não há necessidade, em princípio, dos conceitos de domínio e
> codomínio, mas eles podem ser facilmente introduzidos.)
>
> O nome Flow Theory é uma alusão à filosofia de Heráclito, que compreende a
> realidade como um processo de transformação permanente, um fluxo de
> transformações e mudanças. Tal escolha está, portanto, em oposição à
> "filosofia" implícita na ideia de conjuntos abstratos, onde os entes do
> universo matemático são coisas estáticas, com elementos igualmente
> estáticos, que se relacionam com os conjuntos por meio da rígida relação de
> pertinência. Em Flow, os entes do universo são funções, processos de
> transformação. As transformações atuam umas sobre as outras produzindo
> novas transformações. Aqui há um notável paralelo, obtido de forma não
> intencional, com a fundamentação filosófica da Topos Theory, em que toda
> ideia de "constância" é vista como um caso limite de processos de variação
> (William Lawvere). De modo análogo, em Flow, conjuntos são funções muito
> especiais, funções que chamamos de "estáticas" (às vezes de "mortas").
>
> A versão apresentada nesse preprint é uma versão simplificada de Flow, em
> que forçamos a "extensionalidade fraca" de Flow a se comportar como a
> extensionalidade conjuntista: duas funções com o mesmo "comportamento" são
> iguais nessa versão simplificada. Essa escolha tem o propósito de facilitar
> a demonstração de que os axiomas de ZFC, quando traduzidos em Flow, são
> teoremas. Na versão não simplificada de Flow, contudo, pode não ser tão
> fácil obter tal demonstração: duas funções com o mesmo comportamento não
> são necessariamente iguais, seriam apenas "equivalentes". Ainda não
> descobrimos, nessa versão não simplificada, leis de cancelamento (como
> monomorfismo e epimorfismo) ou "separadores" (como o objeto terminal em
> Set) que nos permitam separar morfismos, obter a igualdade de funções: elas
> continuam sendo seres com individualidade, porém não totalmente
> distinguíveis (até o momento). Acreditamos que Flow possa desempenhar, no
> futuro, papel relevante na formulação de problemas sobre
> "indistinguibilidade" que ocorrem em mecânica quântica.
>
> Um minicurso sobre a Teoria Flow será apresentado em um workshop sobre
> mecânica quântica que ocorrerá em Florianópolis em dezembro. Até lá,
> pretendemos ainda preencher as lacunas do preprint e coletar críticas,
> sugestões e correções. Como a proposta é bastante ousada, pode ser que
> estejamos completamente equivocados! :-)
>
> Por outro lado, a versão que está agora no papel é resultado de seis meses
> de trabalho diário. Nesse percurso, nos deparamos diversas vezes com
> pequenas inconsistências. Ficaremos imensamente agradecidos se os colegas
> interessados puderem analisá-lo com seus alertas de inconsistência ligados!
>
> Ainda há muita coisa interessante para ser analisada e certamente diversos
> fatos, teoremas, que não estamos enxergando. Uma das nossas dificuldades no
> momento é que o único categorista da nossa equipe é amador (eu), o que tem
> atrasado um pouco a obtenção de resultados que parecem estar diante do
> nosso nariz, mas que não conseguimos formular satisfatoriamente. Temos a
> esperança, contudo, de que categoristas profissionais se interessem pelo
> trabalho e queiram contribuir com o desenvolvimento dessa teoria.
>
> A propósito, os diagraminhas que representam as funções finitas pequenas de
> Flow são grafos reflexivos, o que sugere um problema de imersão (fora da
> teoria, é claro) de Flow na categoria dos grafos reflexivos ou um problema
> de imersão de Flow, vista como categoria (monoide sob a composição), na
> categoria dos endomorfismos de conjuntos... Isso tudo está em aberto. Outro
> fato curioso é que uma das funções mais importantes de Flow, a função
> sucessor, tem um comportamento "algébrico" muito similar ao de um
> funtor-hom, e parece nos dar de fato uma interpretação "quase-funtorial" de
> um subuniverso de Flow em conjuntos (chamamos de "quase-funtorial" porque o
> sucessor de uma composição não é igual à composição de sucessores, ela
> contém a composição, mas apenas em casos particulares é igual).
>
> Bom, era isso. Esperamos que os colegas se interessem e que possam analisar
> o material (e que não descubramos nenhum erro muito grave, hahaha...)
>
> Abraços!
>
> M.
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