Prezadxs:

Esta mensagem é realmente OFF (e provavelmente a última que envio
sobre o tema), pois não faço qualquer esforço em aproximar o que digo
aqui à Lógica ou à Teoria da Argumentação.  Ela é escrita pelo meu
coração vagabundo, que "não se cansa de ter esperança".

Por um lado, como bem apontou a Luiza, é realmente difícil defender a
tentativa de _ressignificação semântica_ dos termos em questão
("vagabunda", "vadia").  Por outro lado, como o Abílio, eu próprio não
tenho problemas com o vocabulário usado no caso do artigo em tela,
dado o objetivo ao qual ele se prestou.  Não tenho, aliás, nenhum
compromisso particular em defender (aquilo que considero) o "bom
gosto", que por mim pode perfeitamente ir à merda --- pardon my
French.

A "eficácia" da estratégia empregada para chamar a atenção do leitor,
usada pelo texto da Profa. Márcia Barbosa, me parece comprovada pelo
fato de o termos discutido tão amplamente aqui nesta lista.
Pessoalmente, concordo com Gisele que o texto tem o seu valor e que
está bem ajustado ao seu contexto de publicação.  De todo modo, no que
diz respeito a Marie Skłodowska Curie, cientista e ser humano de
primeira qualidade, sinto que algumas das histórias partilhadas pelo
Carlos na mensagem abaixo são mais interessantes do que todo o resto
que foi dito sobre isso até agora.  O blog do Globo só teria a ganhar
com textos que incluíssem causos assim em seus conteúdos, e a
divulgação da ciência como um todo, bem como a advocacia dos direitos
humanos, ganhariam igualmente com os argumentos cuidadosos elaborados
por alguns colegas que se manifestaram aqui.

JM


On Tue, Oct 22, 2019 at 11:40 AM Carlos Gonzalez <[email protected]> wrote:
>
> Eu sou um admirador da Maria Curie.
>
> Linus Pauling também ganhou dois prêmios Nobel.
>
> A Marie Curie desmaio de fome nas aulas na Sorbonne, mas isso não impediu que 
> ficasse em primeiro lugar em Física e em segundo em Matemáticas. Foi a 
> primeira mulher professora da Sorbonne, a primeira mulher a ganhar um prêmio 
> Nobel e a primeira pessoa a ganhar dois, antes de Linus Pauling. Também John 
> Bardeen e Frederick Sanger ganharam dois.
>
> Ostwald, um químico reconhecido na época, visitou o laboratório dela e Pierre 
> e achou que era um galpão de batatas, ironicamente. Eles tiravam de minério 
> com terra o material radioativo de uma terra chamada "pechblenda", da qual 
> Becquerel (prêmio Nobel com os Curie) tirava urânio. A pechblenda tem chumbo 
> e outros metais e parece o resíduo de uma explosão atômica (provavelmente o 
> seja, provavelmente teve milhares de explosões atômicas naturais na história 
> da Terra).
>
> Era amiga das sufragistas norte-americanas, as quais, como muitos outros, 
> pagaram a sua luta pela liberdade com períodos na cadeia. Quando as 
> sufragistas recadaram muito dinheiro, colaboraram com as pesquisas de Marie 
> Curie.
>
> Quando Pierre e Marie casaram, no lugar de comprar um vestido de noiva, com 
> esse dinheiro compraram duas bicicletas, que usavam para passear juntos.
>
> No artigo comentado, a falta de recursos literários e o "marketing" de querer 
> chamar a atenção levam a usar a palavra "vagabunda" de uma maneira grosseira 
> e de mal gosto.
>
> Faz 50 anos atrás, em Argentina, nos teatros de revistas, cômicos medíocres 
> falavam palavrões sem necessidade e o público, também medíocre,  ria disso. 
> Análogo ao que acontece com a autora que usa "vagabunda" para chamar a 
> atenção.
>
> Carlos

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