Dear cdes. and friends, this is worth reading Data: Fri, 19 Oct 2001 00:01:05 -0300 De: "Maria Luiza de Carvalho Armando" <[EMAIL PROTECTED]> Assunto: Significado de Socialismo ou Barbarie (M.Lowy)
A Significa��o Metodol�gica da Palavra de Ordem "Socialismo ou Barb�rie" Michael L�wy Rosa Luxemburg �, sem d�vida, uma das mais criadoras mentes marxistas do s�culo XX. A dicotomia retomada por ela de Marx - Socialismo ou Barb�rie - �, ao mesmo tempo, um rompimento com o marxismo mecanicista da II Internacional carcomida pela burocratiza��o e a express�o do grande dilema �pico da humanidade. Neste texto, L�wy resgata e desenvove a centralidade desta dicotomia para o entendimento da nossa �poca e para a (re)constru��o de um pr�tica revolucion�ria contempor�nea. O socialismo � o produto inevit�vel e necess�rio do desenvolvimento hist�rico, economicamente determinado, ou � somente uma op��o moral, um ideal de Justi�a e Liberdade? Esse "dilema da impot�ncia" entre o fatalismo das leis puras e a �tica das puras inten��es (1) era o da social-democracia alem� de antes de 1914. Ele foi ultrapassado - no sentido dial�tico: "Aufheben" - por Rosa Luxemburgo, precisamente atrav�s da formula��o, na brochura Junius de 1915, da c�lebre palavra de ordem "socialismo ou barb�rie"I Nesse sentido Paul Froelich tinha raz�o em escrever que essa brochura (n�o importa quais sejam seus erros ou defici�ncias, criticados por Lenin) "� mais do que um documento hist�rico: ela � um fio de Ariana no caos presente" (2). Tentaremos desenvolver, em linhas gerais, a significa��o metodol�gica dessa palavra de ordem, significa��o que nos parece de uma import�ncia capital para o pensamento marxista, mas que n�o foi sempre suficientemente compreendida e avaliada. (...) � principalmente a partir da revolu��o russa de 1905 que Rosa Luxemburgo come�a a se afastar politicamente de Kautsky e a criticar cada vez mais a concep��o "r�gida e fatalista" do marxismo que consiste em "esperar com os bra�os cruzados que a dial�tica hist�rica nos traga seus frutos maduros" (9). Por volta de 1909-1913, sua pol�mica com Kautsky sobre a greve de massas cristaliza as diverg�ncias te�ricas latentes no interior da corrente marxista ortodoxa da social-democracia alem�. Aparentemente a cr�tica de Rosa tem como objetivo principal o car�ter puramente parlamentarista da "estrat�gia de usura" (Ermattungstrategie) elogiada por Kautsky. Mas num n�vel mais profundo, � todo o "radicalismo passivo" de Kautsky (Pannekoek dixit), seu fatalismo pseudo-revolucion�rio que � questionado por Rosa. Face a essa teoria oportunista, cuja f� obstinada na vit�ria eleitoral-parlamentar "inevit�vel" era somente uma das manifesta��es pol�ticas, Rosa desenvolve sua estrat�gia da greve de massa fundamentada sobre o princ�pio da interven��o consciente: "A miss�o da social-democracia e de seus chefes n�o consiste em ser puxada pelos acontecimentos, mas em super�-los conscientemente, em abarcar com o olhar o sentido da evolu��o e abreviar essa evolu��o por uma a��o consciente, acelerar sua marcha" (10). Entretanto at� 1914 a ruptura com Kautsky e com o "fatalismo socialista" n�o � completa. Como mostra a passagem mesma que acabamos de citar, n�o h� para Rosa sen�o um "sentido da evolu��o", que se trata somente de "abreviar" e de "acelerar". Foi necess�ria a cat�strofe de 4 de agosto de 1914, a capitula��o vergonhosa da social-democracia alem� � pol�tica de guerra do kaiser, o deslocamento da Internacional e a arregimenta��o das massas prolet�rias a esse imenso massacre fratricida intitulado "a primeira guerra mundial" para abalar em Rosa a convic��o profundamente enraizada do advento necess�rio e "irresist�vel" do socialismo. Foi a partir desse traumatismo que Rosa Luxemburgo escreve, em 1915, na brochura Junius, essa f�rmula extraordinariamente revolucion�ria (no sentido te�rico e pol�tico ao mesmo tempo): "socialismo ou barb�rie". 0 que quer dizer: n�o h� uma �nica "dire��o do desenvolvimento", um �nico "sentido da evolu��o", mas v�rios. E o papel do proletariado, dirigido por seu partido, n�o � simplesmente de "apoiar", de "abreviar" ou "acelerar" o processo hist�rico, mas de decidi-lo: "Os homens n�o fazem arbitrariamente sua hist�ria, mas s�o eles que a fazem... A vit�ria final do proletariado socialista... n�o pode se realizar se, de todas as condi��es materiais acumuladas pela hist�ria, n�o jorrasse a fa�sca animadora da vontade consciente da grande massa popular... Friedrich Engels disse uma vez: a sociedade burguesa se encontra frente a um dilema: ou o progresso para o socialismo ou a regress�o para a barb�rie... N�s nos encontramos atualmente exatamente como Friedrich Engels previu, h� uma gera��o, h� 40 anos, diante da escolha: ou triunfo do imperialismo e queda de toda civiliza��o como na antiga Roma, despovoamento, destrui��o, degeneresc�ncia, um vasto cemit�rio, ou a vit�ria do socialismo, quer dizer, a a��o consciente de luta do proletariado internacional contra o imperialismo e seu m�todo: a guerra. Eis o dilema da hist�ria mundial, uma alternativa na qual os pratos da balan�a oscilam diante da decis�o do proletariado consciente" (11). Qual � a origem, no pensamento marxista, da f�rmula "socialismo ou barb�rie"? Marx, na primeira frase do Manifesto sublinha que a luta de classes terminou todas as vezes "seja por uma transforma��o revolucion�ria de toda a sociedade, seja pela ru�na (Untergang) comum das classes em luta". � provavelmente dessa passagem que se inspira Rosa quando ela fala da queda da civiliza��o na antiga Roma como precedente do retorno � barb�rie. Mas n�o h�, em nosso conhecimento, nenhuma indica��o em toda a obra de Marx que essa alternativa, que ele apresenta no Manifesto como a constata��o de um fato passado, seja v�lida para ele tamb�m como possibilidade para o futuro. Quanto � frase de Engels � qual Rosa Luxemburgo se refere: trata-se evidentemente de uma passagem de Anti-Duhring (publicada em 1877, logo 40 anos antes do ano em que Rosa escrevia) que ela tentava reconstituir de mem�ria (n�o tendo na pris�o acesso � sua biblioteca marxista...). Eis o texto de Engels onde aparece pela primeira vez a id�ia do socialismo como uma alternativa num grande dilema hist�rico: "As for�as produtivas engendradas pelo modo de produ��o capitalista moderno, assim como o sistema de reparti��o dos bens que ele criou, entraram em contradi��o flagrante com o modo de produ��o mesmo, e isso a tal grau que se torna necess�ria uma mudan�a do modo de produ��o e de reparti��o, se n�o quisermos ver toda a sociedade moderna perecer (12). A diferen�a entre o texto de Rosa Luxemburgo e o de Engels � evidente: 1) Engels coloca o problema principalmente em termos econ�micos, Rosa em termos pol�ticos; 2) Engels n�o levanta a quest�o das for�as sociais que podem decidir de uma perspectiva ou de outra: todo o texto s� coloca em cena for�as e rela��es de produ��o. Rosa, em compensa��o, sublinha que � a interven��o consciente do proletariado que far� "inclinar a balan�a" de um lado ou de outro. 3) Tem-se nitidamente a impress�o que a alternativa posta por Engels � principalmente ret�rica, que se trata mais de uma demonstra��o absurdos da necessidade do socialismo que de uma alternativa real entre o socialismo e o "perecimento da sociedade moderna". Parece pois que, em �ltima an�lise, foi Rosa Luxemburgo mesmo que (inspirando-se em Engels) colocou, pela primeira vez, explicitamente o socialismo como sendo n�o o produto "inevit�vel' da necessidade hist�rica, mas uma possibilidade hist�rica objetiva. Nesse sentido, a palavra de ordem "socialismo ou barb�rie" significa que, na hist�ria, os dados n�o est�o lan�ados: a "vit�ria final" ou a derrota do proletariado n�o s�o decididas antecipadamente, por "leis de bronze" do determinismo econ�mico, mas dependem tamb�m da a��o consciente, da vontade revolucion�ria desse proletariado. Que significa "barb�rie" na palavra de ordem luxemburguiana? Para Rosa, a guerra mundial mesma era uma forma espor�dica de retorno � barb�rie, de destrui��o da civiliza��o. � pois ineg�vel que, para toda uma gera��o, na Alemanha e na Europa, a previs�o de Rosa se revelou tragicamente verdadeira; o fracasso da revolu��o socialista em 1919 conduziu em �ltima an�lise ao triunfo da barb�rie nazista e � 1l.a Guerra Mundial. Entretanto, em nossa opini�o, o elemento metodologicamente essencial na palavra de ordem da brochura Junius n�o � a barb�rie como �nica alternativa ao socialismo, mas o princ�pio mesmo de uma alternativa hist�rica, o princ�pio mesmo de uma hist�ria "aberta", na qual o socialismo � uma possibilidade entre outras. O importante, o teoricamente decisivo na f�rmula n�o � a "barb�rie", mas "o socialismo ou..." (...) __________ In boletim [Trotsky Hoje] Trotsky Vive, n� 31, 17 de outubro de 2001 N�stor Miguel Gorojovsky [EMAIL PROTECTED] _______________________________________________ Leninist-International mailing list [EMAIL PROTECTED] To change your options or unsubscribe go to: http://lists.econ.utah.edu/mailman/listinfo/leninist-international
